quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Eis a minha opinião a respeito de comprar ou não ações da Petrobras



Louis Frankenberg,CFP®



Esta matéria pode ser copiado livremente, desde que mantido integralmente.



Não trabalho na Petrobras, não tenho familiares trabalhando na Petrobras, não tenho presentemente ações da Petrobras, não faço parte de nenhuma agência de publicidade ou marketing que tem qualquer contrato ou interesse na divulgação da eminente nova emissão de ações da Petrobras, não faço parte de nenhuma entidade Governamental Federal e não sou afiliado ao partido político atualmente no poder.



Dito isso, posso dar democrática e livremente a minha opinião a respeito de assunto tão controvertido. Comprar ou não Petrobras está sendo debatido por todos que acreditam conhecer em algum grau de profundidade (ou será superficialidade?) a oferta pública de uma nova e imensa emissão de ações dessa empresa que nem é pública nem privada, mas mista e recheada de contradições de todas as espécies.



Não desejo penetrar na profundidade dos números e índices, mas me ater apenas a alguns itens que vou abordar. Esta minha opinião é externada na condição de planejador financeiro certificado, com razoável experiência de vida. Não pretendo ser vidente e respeito opiniões contrárias às minhas. Não garanto, portanto, minha infalibilidade.



Há muitíssimos anos acompanho mercados acionários do mundo ocidental e já vi coisas incríveis acontecerem (absurdas ou até surrealistas) no Rio de Janeiro, São Paulo Nova York, Londres, Frankfurt, Paris, etc.




  • Se alguém tem pouco dinheiro e não pode se dar ao luxo de sofrer perdas elevadas não deve se meter na compra destas ações. Pode perder bastante dinheiro ou ter de esperar muito tempo até recuperar o prejuízo.

  • Se alguém tem reservas financeiras elevadas acima de R$100 mil, é jovem e fã de jogos de azar (portanto não é conservador(a), pode brincar jogando 10% na compra dessas ações.

  • Se alguém tem R$ 1 milhão ou mais em reservas financeiras e já tem 65 anos ou mais, não recomendo apostar nas incertezas dos mercados de renda variável de países que possam ser consideradas de razoável risco. Interprete como quiser.

  • Petrobras precisa urgentemente de capital novo, já que o mesmo foi muito dilapidado ou quem sabe erradamente colocado em mais gente em vez de mais tecnologia e obras de infra estrutura. O último balanço da empresa, para um bom e minucioso analista, indica esta preocupante condição. Onde foi parar o imenso lucro havido?

  • Muito do capital social da empresa está atualmente em mãos de um Governo cujo partido político está no poder, o que provavelmente influenciará o destino a ser dado a qualquer novo aporte. Interprete como quiser.

  • Quem já possui ações da Petrobras deve saber que muito provavelmente a futura participação e lucro será bastante diluído com a entrada de eventuais novos acionistas. Os atuais acionistas serão reféns de políticas que talvez não serão comparáveis ao lucro e valorização obtidos em anos passados. Eu indicaria dar uma boa olhada e interpretação na página B7 do caderno Mercado da Folha de S.Paulo de ontem 8 de setembro de 2010 e outras análises feitas por Bancos e Corretoras.

  • Petrobras hoje em dia é apenas uma empresa com grande potencial em reservas ainda não exploradas, mas que precisam ser confirmadas futuramente pela efetiva extração de baixo das ondas e camadas de sal do oceano Atlántico.

  • O mundo capitalista nos dias de hoje se encontra em uma encruzilhada e grandes alterações podem ocorrer nos mercados de capitais e acionários, aqui e no exterior, para que não ocorra uma nova crise financeira e econômica como a mais recente havida. A mídia internacional não está certa que isso não possa ocorrer novamente e a qualquer momento.

  • Comentaristas de grandes e qualificados órgãos internacionais de imprensa, que possuem bastante experiência e editores muito bem qualificados, atualmente advertem para bolhas e eventuais quedas bruscas nos mercados europeus, americanos e chineses.

  • O problema ocorrido no Golfo do México com a British Petroleum é muito grave e pode se refletir em futuro próximo através de profundas alterações nas regulamentações da exploração de petróleo em alto mar. (ver o nosso pré sal que ainda nem foi explorado).

  • Nosso próprio mercado acionário é ainda muito restrito e estreito e, para haver sucesso absoluto no lançamento de ações da Petrobras, necessita fundamentalmente dos mercados externos para ter sucesso e que apenas irão adquirir participação caso estiverem convencidos do potencial de um bom e garantido negócio.

  • O Brasil, sem dúvida é um país com grande potencial (faz parte dos BRIC), mas ainda possui enormes aspectos econômico e sociais não resolvidas em sua estruturação e futuro de grande nação. Exemplificando; déficit público interno elevado e aumentando, educação básica e profissionalizante ineficiente e insuficiente, insegurança generalizado, altíssimos e injustificados tributos que apenas alimentam a máquina burocrática pública, cada vez mais inchada, falta de obras publicas essenciais, campeão absoluto em burocracia e outros itens que deixo para que o leitor exercite sua memória e crítica.

  • Baseado no que foi dito, pessoalmente não recomendo a aquisição de ações durante a atual oferta pública, aguardando (sentado ou mesmo deitado) algum tempo (talvez sejam dias, semanas, meses ou anos) para ver como as cotações da Petrobras se comportarão em relação a futura oferta, procura e oscilações das bolsas de valores, quando alguns ou todos os fatores acima citados já estiverem sido digeridos nacional e internacionalmente.

  • São os orientais que cultivam a virtude da paciência e nós brasileiros impacientes e imediatistas que somos, queremos tudo hoje ou preferencialmente ontem!


Louis Frankenberg,CFP® - 9 de Setembro de 2010


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