sábado, 21 de abril de 2012

A extrema complexidade dos fatores relacionados com nossas finanças pessoais


Considerações a respeito de sucesso e insucesso financeiro

Louis Frankenberg,CFP  21-04-2012

Não tenho qualquer dúvida de que a atitude perante a vida e o dinheiro depende muitíssimo da herança genética que recebemos de nossos antepassados remotos e mais recentes.
Observando meus três filhos, hoje em dia adultos e com suas próprias famílias constituídas, verifico  que  cada um deles lida diferentemente com as finanças e inúmeros outros aspectos de sua  própria vida.
Anos de prática me induziram a concluir que a herança genética é central, fundamental mesmo e que, junto com os conhecimentos científicos atuais e continuamente sendo descobertos na atualidade pela neurociência a respeito do funcionamento da mente, apenas confirmam que somos iniciantes perante o colosso que é nosso desconhecimento. 
Inúmeras incógnitas e dúvidas, ainda  subsistem e, nós  diminutos e frágeis seres humanos  com os parcos  conhecimentos que acumulamos, continuaremos sendo dependentes em grande parte dos deuses do desconhecido.  
Após inúmeros anos de atividade profissional neste fascinante segmento do conhecimento humano que são as finanças pessoais, ruminando muitas vezes a respeito das reviravoltas do meu próprio comportamento financeiro (e dos gravíssimos erros também  por mim cometidos), somado ao do limitado conhecimento acumulado pela observação do comportamento de familiares, amigos, e clientes, o exemplo e ensinamentos de nossos pais ou responsáveis, têm também enorme importância na maneira de como iremos pensar e agir em relação as nossas próprias vidas financeiras.    
Apesar dos grandes avanços da psicologia econômica, em destaque a das finanças, e do crescente conhecimento que estamos obtendo das descobertas  da Neurologia, sabemos que  o ser humano costuma agir erraticamente ou seja sendo pouco racional.    
Pessoalmente estou convencido que um dos  fatores preponderantes existentes para alcançarmos o chamado “sucesso financeiro”, passa  por  uma  fase  anterior que eu identificaria  como  sendo  de conscientização.
Em dado momento de nossas vidas  passamos a indagar   quem somos e o que queremos  dela.
Muito provavelmente, nessa mesma fase inicial da nossa jornada rumo a maturidade  e que geralmente ocorre em algum momento de nossa própria juventude ou mesmo puberdade ocorrem estes questionamentos e dúvidas.
Passamos então a observar e analisar em profundidade as pessoas que nos cercaram e transitaram em nossa esfera de influência (pais, familiares, amigos, colegas, personalidades públicas, formadores de opinião, etc.) identificando seus pontos altos, virtudes, defeitos e, mentalmente os colocamos num pedestal ou  ao contrário, abominando alguns  dos traços de suas personalidades, não querendo lhes ser igual.
Muitíssimo resumidamente eu poderia representar a  avaliação  resultante daquelas observações em nossas mentes da seguinte maneira;  
 “Desejo  ser como   aquela determinada pessoa” ou opostamente,
“De maneira alguma quero ser parecida com aquela pessoa”.
Quem sabe, esta  talvez questionada conclusão irá determinar pelo resto de nossas  vidas, a maneira de como iremos nos comportar em relação a situações  que se assemelham a imagem mental que acima  tracei.
Acredito que aquela importante fase  da juventude ou puberdade, em que buscávamos  nossa própria auto estima, auto afirmação ou  seja   desejosos de sermos pessoas  que a sociedade   respeitasse  e admirasse é muitíssimo importante  na formação de nosso caráter.
Ela certamente concorre para que tenhamos sucesso caso os exemplos recebidos forem positivos.
As reflexões acima são absolutamente críticas para  desenvolvermos nossos próprios ideais, prioridades e supremos objetivos de vida.   
Pois bem, é também nesta mesma época de nossas vidas que deveríamos nos conceder uma pausa para meditação para determinar quais são essas nossas mais profundas habilidades, conhecimentos  prioridades e objetivos de vida e se de fato já os tenhamos identificados corretamente.
Na mesma ocasião também deveríamos  tentar descobrir quais são os  aspectos  de nossas próprias vidas que nos são mais valiosas e principalmente estabelecer metas factíveis.  
Uma vez determinados todos estes critérios, reflexões, desejos e sonhos, será bem mais fácil definirmos nosso rumo e qual deveria ser  a melhor maneira  de alcançar  o arco íris  do chamado êxito financeiro.
Como simples exemplo de entender  algumas das características aos quais estou me referindo constantemente, repito  que devemos  fazer questão de sempre nos  auto auscultar e auto analisar, ou seja, saber se somos pessoas ambiciosas, lutadores, persistentes, otimistas, idealistas etc. ou   exatamente   antônimos destas maneiras de ser que em nada nós diminuem, apenas distinguem.
Portanto são todas essas especificidades somente nossas e que somente nos mesmos conseguimos definir com exatidão que vão ultimamente definir se teremos maior probabilidade de êxito em nossa longa caminhada rumo ao sucesso econômico-financeiro.
Acrescento ainda que você não tem nada de anormal caso não compartilha destas idéias e acredita que sucesso financeiro não é uma das suas metas prioritárias.
Felicidade, família, saúde, aventura, diversão e lazer são algumas  das demais  metas e objetivos prioritárias de inúmeras pessoas ao redor do mundo!
Caso alguém quisesse me perguntar qual seria o percentual de pontuação que eu daria a cada um dos fatores  desenvolvidos em minha teoria  e considerações acima citadas, devo  honestamente responder que não tenho a resposta e ainda acrescentaria que a matemática  certamente não tem nada a ver com a nossa mente e determinado comportamento como seres humanos que somos, todos  diferentes entre si.
Igualmente desconhecemos o teor de tantas outras incógnitas que possam fazer parte desta complexa equação   envolvendo o sucesso ou insucesso de alguém em relação as suas finanças.
Pessoalmente, retrocedendo ao meu passado, penso que   levei muitíssimos anos para   me conhecer melhor e conseqüentemente rechaçar idéias  e situações  que periodicamente me foram colocadas pela frente e que intimamente eu sabia que não coincidiam com a minha filosofia  de vida.
É esta a principal razão  porque passei em quase todas as minhas palestras a divulgar a importância de sermos absolutamente autênticos, sermos nós mesmos, e não meramente alguma fajuta cópia carbono de alguém que admiramos e/ou respeitamos.
Acredito ainda que uma boa dose de humildade e sinceridade para consigo mesmo são igualmente ingredientes imprescindíveis para nosso crescimento  intelectual,  predicados estes  razoavelmente  positivos e influenciadores  para termos  uma  maior probabilidade de  êxito financeiro.
A medida que vamos  amadurecendo e mantermos como norma  primária praticar  a auto crítica e o auto conhecimento,  vamos aprimorando  essa nossa  própria personalidade.
Fácil? De maneira alguma!
Mas como recompensa caso seguirmos nosso instinto, pouco a pouco tornamo-nos  pessoas conscientes  daquilo e seremos capazes de criar, de produzir  e, não precisaremos jamais pedir emprestado de outras pessoas, idéias, ideologias, características e maneiras de ser.    
Tudo que até agora expus, se amolda também  perfeitamente na busca de nosso aprimoramento profissional e na  busca da   felicidade, família, saúde, aventura, diversão e lazer   e que não seja necessariamente apenas sucesso financeiro.    
Eu mesmo levei inúmeros anos até me encontrar naquela profissão que casasse perfeitamente com minhas especificidades  de personalidade e objetivos de vida.
A melhor e mais antiga receita para esta conquista continua sendo; trabalhar com entusiasmo, otimismo e alegria  naquilo que  você sabe fazer e sempre se aperfeiçoando e renovando.
Mas até agora não abordei uma  palavra  infelizmente   tão esquecida neste nosso Brasil dos dias atuais  e que pelo menos  no dicionário continua  constando como sendo “ética”.   
Acredito que a gente terá de se perguntar constantemente se as palavras que pronunciamos ou negócios que recomendamos, eventualmente não irão prejudicar outras pessoas  e se a resposta   for  um “não”, podemos tranqüilamente seguir adiante, com a consciência tranqüila de termos bem feito nossas lições de casa. Com estas práticas conquistaremos inúmeros amigos e clientes satisfeitos que irão acreditar em nossa opinião e conselhos.  
Deparei ainda nesta minha prolongada jornada que muita ganância e falta de  escrúpulos, podem nos levar rapidamente à desgraça e outras embrulhadas.  
A conquista de um lugar ao sol, na qual  teremos uma vida confortável, talvez não uma maior riqueza não será uma conquista simples, ao contrário, estará dependendo de tudo que tratamos anteriormente e muitos fatores imponderáveis que também eu desconheço.   
Quero ainda proclamar que a experiência que pessoalmente acumulei, acompanhando muitas centenas de clientes, amigos e familiares pelos anos afora, permitem-me afirmar que a acumulação de um razoável patrimônio quase nunca provém de herança,  algum negócio fabuloso ou da deusa chamada sorte, porém muito mais vezes da acumulação sistemática, tijolo sobre tijolo e  que passam então a  formar uma estrutura sólida capaz de agüentar alguns ventos e até tempestades.    
Menos de 1% dos seres humanos tornam-se muitíssimos ricos, talvez 5% consigam acumular um patrimônio suficientemente bom para terem uma vida  razoavelmente confortável.
Entretanto é bom não esquecer que a maior parcela da população mundial (e não apenas a brasileira!), isto é mais de 90%, jamais alcançou no passado distante ou mais recente  a tão almejada condição sofisticada, sem  qualquer  forma de preocupação financeira.    
Pensem nisto quando  passarem a  meditar  sobre tudo que acima escrevi.
E para arrematar estas reflexões  tão filosóficas e profundas, jamais acreditem em livros (e pessoas) que  divulgam fórmulas mágicas que ensinam aos incautos a se tornarem milionários em 10 simples lições.  
Não existe esta fórmula mágica. Acreditem somente no uso inteligente e racional de nossa mente, que deve ser ouvida,  treinada e respeitada naquilo que nos indica de como cada um de nós  funciona  por dentro.  
Tomem nota; somos apenas parte integrante do reino animal, algumas vezes até racionais mas  também com  características  extremamente volúveis e controvertidas.     
Forte abraço de um calejado e sincero planejador financeiro que acredita  que apenas  cifras e percentuais não são suficientes para  alcançarmos a prosperidade.

Louis Frankenberg,CFP®   21-04-2012


                                                                                                                                  

           

domingo, 1 de abril de 2012

Imóveis, bolhas e outros alertas

Louis Frankenberg,CFP® 01-04-2012

O local mais sagrado, onde nos sentimos mais abrigados e protegidos!

Imóveis sempre ocuparam parte importante do meu raciocínio e trabalho em relação aos desejos e
necessidades básicas das pessoas.
Desde tempos imemoriais, ainda  da época em que nossos antepassados viviam nas grutas, o ser humano teve necessidade de se abrigar das intempéries e buscava uma moradia para si, seu companheiro(a) e crias.   
Este  desejo é imperativo e hoje em dia está indelevelmente gravado  em nosso DNA e cérebro.   
Devo entretanto adicionar a este nosso complicado e misteriosa mente   alguns  predicados   menos atraentes  tais como especulação, ganância, busca de satisfações  menos nobres   e ainda o ardente de desejar estar sendo visto na companhia de pessoas  que se destacam na sociedade por alguma razão  ou  então viver em lugares de preferência muito exclusivos (ruas, bairros, cidades, praias, montanhas etc).
A simples realidade é que imóveis tornaram-se  bens muito apropriados para exibicionismo, (como sempre o foram   também adornos, jóias, automóveis luxuosos etc).
Quem nunca ouviu uma sentença do tipo
“Sabes fulano, comprei um imóvel de tal empresa, com 1.000 m2 que tem piscina própria,  quadra de tênis e está em uma rua particular...”.
Junte-se a este nosso inato esnobismo ao moderno mercantilismo, ao marketing ostensivo e a publicidade tantas vezes irritadamente invasiva e temos o caldo ideal para que se formam preços absolutamente exagerados para alguns empreendimentos imobiliários que vemos por aí.  
E não adianta afirmar que os preços do m2 em nossas cidades ainda são inferiores aos de Nova York, Londres ou Paris, pois sabemos que dinheiro em excesso é quase  sempre sinônimo de preços elevados e condições de aquisição para que  apenas uma pequena parcela da população possa pagá-los.  
Inúmeros grupos financeiros e imobiliários (incluídos  aí incorporadores e intermediários)  sabem tão bem se aproveitar dessas nossas fraquezas   e  que incitam até o limite nossos desejos, idiosincracias,  ansiedades e fantasias que, sabemos  todos quão poderosos são e que nos fazem constantemente cair na tentação de obtê-los.    
Pronto, agora já temos os ingredientes suficientes para uns se aproveitarem  de outros e ganhar dinheiro com esses nossos  sentimentos  tão controvertidos e poderosos.
Disputas, brigas e até guerras são algumas vezes resultado desses nossa mente, ainda tão animalesca quanto da época em que vivíamos nas grutas.
Os vocábulos lucro, ganância, poder, inveja, domínio  já   existiam todos quando o homem começou a se locomover pela face da Terra.

Que tal irmos diretamente aos podres e conhecer uma das razões  da existência  das  chamadas bolhas!

Desde o advento da introdução dos Fundos imobiliários no Brasil e simultaneamente  com o surgimento das grandes empresas Construtoras (nacionais e estrangeiras),  algumas  delas surgidas   da evolução de pequenas empresas  de Intermediação Imobiliária, elas conseguiram multiplicar muitas vezes seu as vezes mísero capital próprio,  indo captar dinheiro fácil no  incipiente mercado acionário nacional, com a indispensável ajuda de bancos e escritórios especializados em transformar chumbo em ouro!  
E encostando o ouvido na porta de uma empresa dessas  você ouvira o seguinte;
“Que tal colocarmos o preço da ação em R$ 30,00 ou será que o mercado pagaria R$ 50,00?  Vamos tentar, sempre podemos baixar o preço se não der!”

O sempre ingênuo e pouco preparado cliente das empresas intermediárias, ávido por ganhar alguns reais fáceis nos IPO’s (Initial Public Offering)  entrou de gaiato nessa jogada  (pessoalmente prefiro a palavra farsa em vez de jogada) muito bem preparada e ainda melhor divulgada.
Resultado; enriqueceram os donos e principais protagonistas de algumas daquelas antigas empresas pouco capitalizadas e, qual o milagre da multiplicação dos pães, multiplicaram o valor de suas empresas ( e a si mesmos) por 10, 20 ou  até muito mais.
Quem de vocês,  caros e fieis leitores do blog do Frankenberg não gostaria de participar dum trem da alegria desses... ( na hora da entrada você   dificilmente percebe  que é uma arapuca.)
A nossa valente CVM (Comissão de Valores Mobiliários, não possuía (e até hoje não controla completamente) a capacidade de enxergar estas dúbias manobras e muito menos sabe como freá-las ou puni-las).
É claro que, você cliente ingênuo que entrou em alguma dessas jogadas, tem igual culpa, pois continua acreditando em tudo que lhe dizem e tentam impingir. Deveria se cercar de profissionais impoluíveis, hoje em dia difíceis de encontrar, mas  mesmo assim ainda existentes.  
Educar-se financeiramente é seu dever para não  cair nas mãos de intermediários frios e calculistas, bom de papo mas melhor ainda de intenções pouco qualificáveis ou honradas.
Vamos continuar nossa lavagem em público da roupa imunda de algumas dessas empresas obviamente não  identificadas.  
Elas (Incorporadoras e Intermediárias de todas as matizes...) desde o início precisavam mostrar a que vieram e adquiriam alguns   terrenos  bem situados a qualquer preço e começaram a fazer seus estoques.  Estoques grandes demais, pelo visto do que aconteceu depois.
Vistosos anúncios nos maiores jornais do país completam o  triste quadro de convencimento dos incautos e inexperientes marinheiros de primeira viagem. Afinal tinham que mostrar aos acionistas novatos onde se encontrava seu dinheiro. Um mágico não faria trabalho melhor.

E  o que aconteceu tempos depois?

Bem, muitas daquelas empresas  já não valem nem a metade do preço de lançamento de suas ações como já vimos.  
Resultado; enorme ou até completa  desilusão dos ávidos compradores. E você continua com suas ações desvalorizados ou já as passou adiante? Eu deveria ter pena de alguns deles, mas a maioria dos marinheiros de 1ª viagem  precisa de mais educação, não tem suficiente orientação  profissional ou então alternativamente, tem  excesso de dinheiro, fé  ou otimismo.
E qual será então o verdadeiro tamanho desse mercado de imóveis residenciais e comerciais  aos preços estratosféricos atuais?  
Acredito que seja bem menor do que a gente imagina.
Se não fossem os Fundos e Planos de Pensão Complementar, algumas estatais insuficientemente fiscalizados pela sociedade mas altamente  politizados... uma possível bolha já estaria formado e pronto  para explodir a qualquer momento.
Com  um pouco de sorte, o preço  de suas ações irá se recuperar no decorrer dos anos.  
Fundos Imobiliários e Fundos de Pensão já adquiriram ou estão neste mesmo momento adquirindo indiretamente muuuuuitos imóveis para suas carteiras e, provavelmente já estejam recheados de outros abacaxis.    Adivinhem agora quem vai  futuramente pagar o pato?   São novamente  aqueles ingênuos acionistas e  inúmeros beneficiários  dos Planos de Pensão  que tem suas cotas atuais infladas artificialmente, mas não sabem se   suas futuras aposentadorias complementares não serão afetadas mortalmente em algum momento futuro. (Na Europa o fenômeno da diminuição do valor das aposentadorias já começa a acontecer).
Mas pelo grande poder político e financeiro que esses grupos  exercem  em nossa atual conjectura econômica, esta  bomba de tempo  provavelmente irá estourar quando você for se aposentar, isto é, daqui a muitos anos!  Tudo se passa igual a polícia que aparece quando o ladrão já fugiu e está longe do lugar do crime... A dura realidade é que tudo isto irá se manifestar quando você for velho, alquebrado e não tem mais   capacidade  ou voz ativa para reclamar.
Se tiver muita sorte, alguém gritará “fogo” antes e então, quem sabe, poderá salvar alguns dos seus pertences...
Para fechar este meu sarcástico e melancólico comentário, devo-lhe relembrar meu caro amigo e portanto tomar suas providências que, apenas 1% da nossa população pode considerar-se verdadeiramente rica para adquirir esses novos imóveis de luxo que estão sendo anunciados por aí. 

E finalmente concluindo

Tenha muito cuidado ao adquirir um imóvel, sempre procurando saber qual seu verdadeiro valor. Analise seus ganhos atuais, pague o máximo possível à vista (sem a incidência de juros) e além disso tenha sempre uma boa reserva financeira alternativa.
Talvez seja  até preferível  você adquirir um imóvel usado em bom estado e reformá-lo. As galinhas mortas continuam existindo, basta ter paciência  para caçá-las!
Ser dono da própria moradia continua dando um enorme prazer ao seu proprietário, continua sendo um dos maiores sonhos e objetivos da humanidade  e também continua sendo um bem muito especial que  acalma e satisfaz  nossas conturbadas mentes, diminuindo a ansiedade dos dias atuais inclusive  o  terrível estresse.   
Não   perca a oportunidade   de conquistá-lo. Tome entretanto todas as providências possíveis para que jamais  qualquer  Instituição Financeira ou Incorporadora o toma  de volta por você ter se precipitado.
Isso tudo exige sapiência, muito preparo e reflexão.
Abraço,
Louis Frankenberg 01-04.2012


Caro leitor, infelizmente não mais consigo remeter-lhe via e-mail meus comentários pois fui considerado SPAM.
os demais  malandros continuam soltos... Somente poderá me acompanhar diretamente no Blog, via Internet. Espero que continue me prestigiando.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O que está acontecendo no mundo financeiro internacional?

(Confidenciando em voz alta)
 
Louis Frankenberg,CFP®    01-03-2012

Estou há um mês de volta  de uma longa viagem que fiz à Europa e, sentado atrás do teclado do meu PC, neste nosso pacato Brasil que, costumeiramente pensa que está acima das atuais desventuras e crises de outros países.
Será pacato mesmo com tantas de nossas mazelas varridas para debaixo do tapete?
Escrevi anteriormente, para quem se deu ao trabalho de ler  meus blogs que, geralmente trago de volta um montão de recortes financeiros   da minha estadia no civilizado mundo chamado Europa. Novamente pergunto, será mesmo tão civilizado assim?  Tenho também minhas dúvidas!
Desde que voltei, todos esses recortes estão  me encarando  feio bem  em frente do meu nariz e eu, por alguma intuitiva aversão à consultá-los, estava fugindo de comentá-los. 
Continuando a ler esta coluna  vocês vão saber  porque. Não lhes peço concordância e nem  prometo plena satisfação  com meus pontos de vista, mas eles são honestas e representam o que penso.
Eu acho que descobri a razão das minhas reticências. Tenho a mania de sempre querer comparar acontecimentos financeiros da Europa, Ásia e dos Estados Unidos com os nossos daqui e aí eu me perco nas também sempre   diferenças de  costumes e comportamento humano. 
Desta vez vou fazer um imenso esforço  e me ater somente ao exterior, por mais vontade  que me dá  de mesclar  tudo e proclamar  erradamente:   
“vejam como  a cabeça das  pessoas ( povo e dirigentes) das  diferentes classes sociais daqui são  iguais as de lá”.
Alguns de vocês já me conhecem melhor e portanto sabem que  minha  principal preocupação financeira  é sempre com  as finanças das pessoas físicas, desde aquelas das classes mais simples até as  mais sofisticadas, enfim com todas as classes sociais, e bem menos com a denominada ‘macro economia”, que coloca pesquisas, estudos e estatísticas em  um enorme saco comum, imaginando que  teremos todos,  meus caros leitores, perfeitas respostas   para solucionar nossas dúvidas e indagações.
A maioria dos economistas, (mas não querendo ofendê-los, pois estão tão confusos quanto os mortais comuns) imaginam que divulgando os dados   coletados, incluem a absoluta totalidade do universo das pessoas. ( e sem dúvida isto não deixa de ser verdadeiro).
Mas quantas vezes vocês, lendo algum dado estatístico ou pesquisado, divulgado por alguma destas conhecidas empresas públicas ou privadas especializadas, fundações, institutos  ou associações, com centenas de estatísticos e recenseadores, não devem estar dizendo para si mesmos;
“eu não me vejo enquadrado com aqueles dados,
eles podem se referir a outra pessoa, mas não a mim”.
 Chega de filosofia  contestatória. Vou tentar manter minha promessa dada a vocês.
A impressão que me causam as inúmeras notícias e estudos que vejo é de que de fato estamos   penetrando em um mundo completamente diferente de duas ou três décadas atrás. Um mundo onde já não importam ética, autenticidade, moral, transparência, honestidade e outras palavras de significado semelhante.
Esta constatação me dá calafrios, pois sei como é extremamente difícil para o ser humano, por um lado de se desprender de hábitos arraigados e por outro lado adotar novas maneiras  de se comportar em sociedade. Conselhos perenes e sólidos recebidos de familiares muito próximos e queridos  como pais, avôs etc pouca valem neste mundo novo de virtualidade, ilusões e aparências ....  
Decido que vou deixar de lado meus recortes acumulados  de 2 e 3 meses atrás e coloco na minha frente  unicamente a  penúltima edição do “The Economist”  de 18/2/2012 e  faço meus comentários e interpretações derivadas daquela que  considero  a  melhor  revista  que conheço, a respeito do que está ocorrendo neste nosso mundo maluco, conturbado e complexo.
Por exemplo vejo na edição daquela edição que as heróicas empresas japonesas de duas décadas atrás, NEC, Sharp, Panasonic, Sony e Fujitsu   perderam todas, separadamente e em conjunto 2/3 do seu valor nas bolsas de valores.
Gente, isto é muito e é uma calamidade! Imagina que você havia investido 100 mil dólares neles e agora somente tem 30 mil dólares. Essas empresas eram da elite  industrial e econômica do Japão! Você trabalhou em alguma delas? Com toda a probabilidade  então já não trabalha mais! 
No mesmo “The Economist” um quadro específico mostra a queda do G.D.P.(Gross Domestic Product) de alguns países, no último trimestre de 2011;  Áustria, Alemanha, Espanha, Itália, Holanda, Portugal e Grécia em ordem crescente de  perdas substanciais, França é a exceção.
Concluo que nestes países muita gente perdeu ou estão em véspera de perder seus empregos e terão de viver por algum tempo de suas economias, se os tiverem feito anteriormente e, também terão de  enfrentar as extensas filas do seguro desemprego desses países chamados paraísos socializados.
Choro com eles, pois sei como é melancólico e triste passar por tempos difíceis de aperto de cinto, noites mal dormidas, a visão nebulosa do futuro imediato e não sabendo quando dias melhores virão.  
Como há inúmeros anos acompanho de perto os acontecimentos na Europa, vejo como os imóveis, antes valorizando invariavelmente, de ano para ano, agora estão a espera de alguém que os adquire.
Eu sempre era aconselhado a adquirir algum deles  antes que o preço subisse ainda mais.
Desconfiava, entretanto, de que  a constante subida do valor não podia perdurar  por muito tempo e  como não possuía cacife para enfrentar qualquer aquisição dessas, por sorte não entrei em  nenhuma fria.
Tomem como exemplo a Espanha,  ótimo  lugar   para se aposentar para muitos dos habitantes europeus dos países mais  nórdicos. Começaram a construir adoidados e sem planejamento imaginando que a euforia iria perdurar para sempre. Deu no que deu.  
Hoje, o desemprego lá é de 23% e como já escrevi em alguma coluna anterior, vi bairros inteiros de prédios novos e desertos em Madrid. E se lá eu tivesse adquirido imóvel, conseguiria  hoje passá-lo adiante ou obter algum aluguel decente? Creio que não. (Esta última sentença serve também de advertência para quem  adquiriu  na euforia do dólar e  imóvel barato, aleatoriamente “real estate” na Flórida)
História parecida aconteceu também duas décadas atrás com os argentinos no Brasil. Era uma época de dólar artificialmente  barata  para eles. Adquiriram  como adoidados imóveis  em nossas praias do sul e do nordeste. Chegou o momento da verdade e  se tornaram pobres. Tiveram de abandonar  os financiamentos ou vender de qualquer maneira  os imóveis comprados.  
Enquanto estou escrevendo,  me assalta o pensamento de que essas coisas também podem ocorrer   por aqui em alguma data futura, mas prometi não misturar  os acontecimentos da Europa e dos Estados Unidos  com   a nossa realidade.  Estava esquecendo! Fica para outra vez dizer porque penso  que isso pode acontecer.
Confirmando que o mundo mudou mesmo e ainda continua mudando, vejo na pagina 68 da mesma revista “The Economist’ que os maiores lucros  obtidos  para um investimento de US$ 100,00 feito em alguma das seguintes empresas há 10 anos é a seguinte; Apple, valor atual; US$3.919 – Sherbank; US$3.722 – Conoco Phillips  U$1.380 – Amazon;  US$ 1.350 e..... Vale; US$1.250 .
Eu não tive a oportunidade (ou coragem) de investir nelas mas alguns de vocês  quem sabe  apostaram no Vale. Parabéns! 
Agora compara  algumas destas mais visíveis e atuais empresas de fama mundial com algumas das também empresas tradicionais ainda existentes  e você  se perguntará como é possível haver tão radicais mudanças  em tão pouco tempo. As empresas de  “TI”, Tecnologia da Informação e Internet estão na ordem do dia. Empresas de idéias inovadoras e serviços prestados que ninguém sabia há pouco tempo que pudessem ser inventadas, muito menos festejadas e aplaudidas.  Algumas delas estão inchadas qual balões. Você sabe qual delas sobreviverá o dia de amanhã? 
Jamais, apenas pela lógica ou inteligência acertará  na mosca em quem será o futuro Midas, adquirindo suas ações  ainda no nascedouro.  
Será  que essas empresas que agora estão na boca de todos  confirmarão seu valor de mercado como  pretendem?  Apenas o futuro responderá se seus dirigentes são  apenas vendedores de ilusões ou  terão   grande   importância para o futuro  e responsáveis por felicidade eterna da humanidade.
E ainda  indago o seguinte; por quanto tempo  estarão na vanguarda e por quais outras empresas serão engolidas logo em seguida?
Minha gente, fico tonto, as coisas vão depressa demais. Parem que eu quero descer!
Recordo tão bem o poder industrial e econômico da General Motors  dos anos 50, 60 e 70 e a sua quase falência pouco meses atrás... Quem diria, a maior S.A. de Capital Aberto do mundo! 
No Jornal Financial Times de 4/1/2012 vejo o percentual de desemprego  em Outubro 2011 de alguns países; em ordem crescente; Alemanha 5,2 %, Bélgica 6,0%, Portugal 12,5%, Eslováquia 13,5%, Irlanda 14% , Grécia 18% e Espanha 23 %.
Qual será o pano de fundo e a remota causa destas apenas  três amostras  de notícias de que algo não está nada  normal (e estável) na Europa, Ásia e Estados Unidos? Como tudo isso terá  continuidade ?
E não podemos esquecer os bancos.   Seus dirigentes vão me jurar de morte com o que vou dizer.
A meu ver estes onipresentes gigantes ( e  que agora  estão quase todos com pés de barro)    que não tem  mais nada a ver com as inocentes instituições de mera  intermediação financeira de antanho!
Não é por nada que Citi, Bank of America, UBS, Morgan Stanley, HSBC, Merril Lynch, Royal Bank of Scotland, Santander, AIG, Allied Irish Banks e outros perderam muito dinheiro, catástrofe ainda maior, parte essencial de seu próprio capital, e conseqüentemente enorme valor de mercado.
Neste momento estão correndo para que você “please” adquire  novamente parte de seu capital original! Vais entrar nesta para lhe enrolarem novamente? Pobres dos  acionistas  e investidores que confiaram novamente neles.
Pessoalmente me dá arrepios  (e por que não dizer nojo) quando continuo ouvindo  que a razão de ser  dos Bancos Comerciais, de Investimento, Administradoras de Fundos de Investimento, Fundos de Pensão, Corretoras  etc. têm como principal obrigação  dar o máximo de lucro aos seus acionistas.
Para mim, nas entrelinhas  e jamais dito com todas as letras, a interpretação  que deve ser dada a este bordão é; 
“oferecer o maior salário e bônus possível aos seus dirigentes  a custa de produtos dito confiáveis”  (propositadamente deixo de lado as múltiplas interpretações que possam ser dadas para estas autênticas  batatas quentes e podres que são muitos dos produtos  atualmente oferecidos) para serem empurrados aos incautos  e pouco conheceres investidores  finais de fundos em geral e reservas técnicas de entidades de previdência governamentais e privados também. O raciocínio daqueles  dirigentes provavelmente era;
“quem não sabe  do conteúdo, tão pouco vai poder reclamar”.
A ordem geral anterior à crise de 2008, continuando sendo igual neste ano de 2012,   é representada pelas   palavras;  “ máximo lucro, especulação  e ganância”.
Os organismos fiscalizadores institucionais e bancos centrais, que deveriam zelar  pela qualidade do conteúdo dos investimentos no mundo inteiro, fecharam os olhos e deu no que deu...
Até hoje estou aguardando que alguns dirigentes mais diretamente culpados  sejam colocadas  atrás das grades, pagando por sua ousadia  e visão míope e destorcida,  porém nada  disso acontece.
Leio nesta semana pela internet em jornal holandês que os  milhões de beneficiários de  fundos de pensão holandeses provavelmente terão de se satisfazer com menores rendimentos distribuídos em 2012...
Para encerrar este blog enorme, que escapou dos meu próprios cortes,    penso sempre naquilo que   aprendi nas aulas de química, ainda nos bancos escolares. O grande sábio  francês Lavoisier afirmava que; 
“na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.
Para os muitos (clientes) que perderam e continuarão perdendo nos mercados financeiros  pessimamente administrados e fiscalizados, existirá sempre um  outro grupo bem menor que alegremente  embolsará  uma bolada igual ao perdido por aqueles milhões, sem remorso e sem castigo!
E assim continuará sendo na China, Europa, Estados Unidos... e no Brasil. Amém!
Fique esperto, caro amigo leitor, sei das coisas e quase que apostaria de que nada será alterada aqui ou acolá. Crises financeiras virão e serão esquecidas e outras crises virão mais adiante. 
O melhor que você pode fazer é não acreditar cegamente em tudo que desejam lhe impingir e comece a crer de que negócios fantásticos e milagrosos não existem e de que sempre é bom se aconselhar com  profissionais planejadores financeiros independentes,  éticos e desinteressados! Não necessariamente eu, que  já estou quase retirando o time da quadra!

Louis Frankenberg, CFP®  01-03-2012

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A poderosa influência da mente no comportamento financeiro do indivíduo


Louis Frankenberg,CFP®  20.02.2012
O período de Carnaval provavelmente não é a melhor  época para abordar um tema  cada vez mais dominante  e fazer uma breve análise   a respeito do assunto. Como bem sabemos, nossas finanças    são determinadas por complexos   fatores de ordem   comportamental.   
Para introduzir o assunto  resolvi reproduzir uma matéria de minha autoria recém publicada neste mês de Fevereiro pela ANEFAC, (www.anefac.com.br) a Associação de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, da qual  também sou um dos diretores.  O título é;
“Este cérebro complexo é o supremo comandante de nossas ações”.
Eis o texto exatamente como foi publicado; 
“Creio que foi no ano de 2005 que tive a honra de escutar pela 1ª vez e pessoalmente o psicólogo, Dr.Daniel Kahneman, da Princeton University, Prêmio Nobel de Economia de 2.002. Eu já o seguia de perto há tempos e com enorme fascínio pelo conteúdo de suas teorias a respeito de como funcionava nosso cérebro, que coincidia 100%  com minha filosofia de planejador financeiro pessoal.
Desde o início da minha atividade como planejador financeiro nos anos 70  eu acreditava piamente que não era suficiente indicar aos meus clientes  investimentos diversificados de renda fixa ou variável.
A maioria  dos investidores naquela época só pensava em obter a maior renda possível, como poderiam fugir da perda do poder aquisitivo da moeda e do pagamento de impostos...
Eu imaginava que o fator primordial era conhecer o melhor possível meus clientes e, sempre que possível os convidava para uma conversa informal, de preferência o casal, para entender quais eram suas prioridades de vida.   
Mas não fui eu, porém Kahneman que conquistou o mundo financeiro para os incríveis conceitos do “Behaviour Finance” ou seja “Comportamento Financeiro”. 
Atualmente, não passa uma semana em que não leio no “The Economist” e outras revistas especializadas, matérias a respeito da enorme evolução que está havendo no cada vez maior conhecimento que está se obtendo sobre o funcionamento de nosso cérebro.  
Após inúmeros anos  praticando o planejamento financeiro, recentemente  resolvi enfrentar um curso de pós graduação em “Psicologia Econômica” na PUC, com a Professora Vera Rita de Mello Ferreira e toda a minha experiência prática  foi  sendo   reconfirmada pelas descobertas feitas naquela área do conhecimento...
Sabe-se hoje que o “ Sistema  Límbico” do cérebro  é o local onde nossos  instintos primitivos dominam; são nossos medos, ansiedades, impulsos, irracionalidades,   memória de acontecimentos negativos etc.
Nesta longa e constante evolução do ser humano pelos séculos afora, aos poucos desenvolvemos o “Neo Cortex”,ou seja a parte frontal do cérebro onde estão localizadas nossa lógica, múltiplas formas de comunicação que desenvolvemos; elas são a parte racional, a parte da inteligência que somente  nós seres humanos possuímos (e as vezes tão erradamente utilizamos).
Sabe-se hoje em dia que o “Sistema Límbico” é a parte primitiva do cérebro na qual  os instintos  são dez  vezes mais poderosos que o  “Neo Córtex”!
Esta é a principal razão pela qual  é   tão difícil tomarmos decisões racionais em relação ao dinheiro e tantos outros  aspectos de nossas vidas quotidianas.
Aparentemente não existem conexões entre o Sistema Límbico e o Neo Córtex e decorrente deste fato  torna-se extremamente difícil pensarmos no longo prazo, em escolhermos investimentos menos imediatistas ou pensarmos seriamente em nossa aposentadoria quando ainda  distante.  Geralmente optamos por pensar no imediatismo das coisas prazerosas. Alguém discorda?”

Até aí a matéria em questão  tal como foi publicada na revista da ANEFAC.
Bem, vocês podem com toda razão  concluir que não é sem razão que nós seres humanos somos escravos, vinculados e dependentes de   nossos  próprios vícios. Que atire a primeira pedra quem afirma que não os têm!
Fascinado há anos pelo assunto da falta de domínio e controle sobre nossas próprias vontades, procuro ler e entender matérias científicas que, cada vez em maior número,  comprovam  que nosso cérebro comanda e policia tudo e que quase sempre somos  irremediavelmente subjugados por desejos, vícios e vontades que superam  as advertências de outro comando deste mesmo cérebro bem mais fraco  e volúvel.    
Na maioria de nós uma  tímida   voz em segundo plano nos diz  por exemplo de que não devemos fazer tal investimento por ser  demasiado arriscado ou então que,  Joãozinho, pela informação de conhecidos nossos,  não é pessoa de bem e de que não devemos nos associar a ele naquele novo empreendimento que ele nos propôs...
Entretanto,  nosso “Sistema Límbico” não  somente nos envolve  em questões  financeiras ou  de nosso  caráter. O domínio  mental sobre a gente  vai muito além e na prática somos na maioria das vezes vencido por ele.
Ele se insinua e ainda nos envolve inapelavelmente  com aquela vizinha  gostosa  que,  com seus olhares  enfeitiçadores nos deixa louco, mas que tem um marido com o qual seria mais conveniente não se meter. (Mesmo assim, muitos homens não resistem...)
Esta primitiva e dominante força presente desde o começo da humanidade na maioria das vezes acaba vencendo  nossas próprias dúvidas e restrições. Também  sucumbimos ante a temerária letra severa da lei seca quando, no bar da esquina, na companhia de   amigos  uma voz interior  nos adverte de que  já bebemos o suficiente cerveja ou vinho, pois ainda teremos pela frente  o ato de dirigir nosso carro para chegarmos  sãos e salvos em casa.

Voltando ao tema das finanças pessoais, na condição de planejador financeiro de carteirinha e com  muito aconselhamento   nas costas, continuo abismado com a quantidade de pessoas  que têm coragem de pagar as taxas de juros geralmente   elevadas e até  mesmo absurdas  que nos são debitadas pelo uso do cartão de crédito além do período de graça ou então pelo cheque especial para o qual em última instância resolvemos apelar.
São todos, sem exceção,  grandes e imperceptíveis ladrões de nosso suado dinheirinho.
Em época não longe de nossa malfadada economia passada, a da grande inflação, ainda seria admitido pagar  8% a 12% de juros mensais pela  aquisição de algum bem de consumo, mas não mais hoje em dia, quando você obtém em sua caderneta de poupança  apenas 0,5% mensais de rendimento ou quem sabe até um pouco mais em outra aplicação (mesmo sabendo que a inflação atual lhe retira sorrateiramente   percentual igual).
A imensa vontade de possuir imediatamente um par de sapatos, um relógio, uma blusa, um celular ultimo modelo e até aquele modelo novo de automóvel,  é  condição suficiente para homens e mulheres sem distinção,  bloquearem seus raciocínios lógicos e caírem na tentação de obtê-los de qualquer maneira.   Tudo resultante  deste maldito e primitivo “Sistema Límbico”, dez vezes mais poderoso que o “Neo Córtex do qual já falamos mais acima.   
Invariavelmente  todos  os  levantamentos e estudos sobre poupança e reservas das diversas classes sócio econômicas afirmam que a maior parte  de nossa população não tem um miserável Real guardado em alguma conta bancária de  reserva ou fundo de pensão complementar. As mesmas pesquisas comprovam que o endividamento destes cidadãos podem  vir a alcançar entre 25% a 35% de suas  receitas mensais.
Se você meu caro amigo ou amiga faz parte deste contingente, envergonhe-se  e mude imediatamente alguns dos seus conceitos para seu próprio bem!
Você sabe por experiência própria ou decorrente de histórias que já ouviu, que é muito melhor para sua saúde financeira e mental ter sempre a mão uma reserva  para os tais  momentos  de desespero no qual o mundo ao seu  redor  subitamente desabou  e está sendo embaraçoso  pedir ajuda a familiares   ou amigos...
É apenas  neste exato momento  que você pensa que teria sido melhor ter uma boa reserva  disponível no banco do que ao invés, ter entrado em um financiamento  para a aquisição da mais recente  versão do  seu  carro favorito...
Eu, ao contrário, faço esforço para continuar sendo a pessoa dos meus primeiros anos de luta para ser alguém na vida,  quando revolvia cada tostão duas ou mais vezes na mão antes  de me decidir como gastá-lo. Mão de vaca?  Pão duro?  Nada disto, eu era apenas  muitíssimo consciente  em saber quais eram as minhas prioridades de vida e como seria  difícil conquistar um lugar ao sol sem fazer alguns sacrifícios.
Naquela  época, hoje longínquo, adotei um princípio  que tentei inclusive  transmitir aos meus filhos e a muitos dos meus clientes. Alguns  destes últimos  o adotaram e, provavelmente se deram bem, outros preferiram  continuar  sendo   a cigarra da fábula de Aesopo ao não  adotar a fórmula da formiga.
Qual era este meu princípio?   Querem mesmo saber? Então aí vai.
“Caso eu gastasse meu suado dinheirinho em uma porção de coisas pequeninhas, jamais teria condições de alcançar meus principais  objetivos ( e sonhos) de vida.”  E eu sabia muito bem o que queria para mim mesmo!
A ciência neurológica, cada vez mais com maior certeza e objetividade está conseguindo comprovar que   certas substâncias químicas atuantes em nosso cérebro  são os  grandes responsáveis por nossos vícios.  Não é tarefa fácil, contornar ou submeter  estas forças  naturais  que algum ser superior projetou para nós.
Devemos portanto tentar dominar o fato de  querer adquirir bens ou cometer outra qualquer insensatez  que comprovadamente será dez vezes mais poderoso que aquela voz tímida e pouco eficaz que fracamente nós sussurra  que aquele ato  vai  futuramente  nos  custar caro.   
Uma super dose da substância chamada adrenalina  é o responsável por tanta gente ir além do razoável para alcançar algum objetivo, arriscando-se muito. A adrenalina é doce, encantadora mesmo e por isso mesmo 1.000 vezes mais perigosa do que conscientemente admitimos!  
Não é sem razão que  as melhores  e mais inteligentes instituições financeiras tentam descobrir  quais os produtos  e serviços que devem oferecer a cada um dos seus clientes.
O chamado perfil  de risco divide cada um de nós em  cautelosos, conservadores,  prudentes, liberais, inovadores, aventureiros, especuladores,  audaciosos, ambiciosos, empreendedores etc.  Tente você mesmo descobrir em qual das classificações que melhor se enquadra e de hoje em diante tente também dominar aquela vozinha melosa  que lhe impulsiona a cometer erros dos quais possa se arrepender amargamente amanhã!
Agradecido por ser meu leitor  fiel, me despeço por hoje desejando-lhe um bom carnaval ( mas sem excessos!)
Louis Frankenberg,CFP®  20-02-2012
  
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