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quinta-feira, 1 de março de 2012

O que está acontecendo no mundo financeiro internacional?

(Confidenciando em voz alta)
 
Louis Frankenberg,CFP®    01-03-2012

Estou há um mês de volta  de uma longa viagem que fiz à Europa e, sentado atrás do teclado do meu PC, neste nosso pacato Brasil que, costumeiramente pensa que está acima das atuais desventuras e crises de outros países.
Será pacato mesmo com tantas de nossas mazelas varridas para debaixo do tapete?
Escrevi anteriormente, para quem se deu ao trabalho de ler  meus blogs que, geralmente trago de volta um montão de recortes financeiros   da minha estadia no civilizado mundo chamado Europa. Novamente pergunto, será mesmo tão civilizado assim?  Tenho também minhas dúvidas!
Desde que voltei, todos esses recortes estão  me encarando  feio bem  em frente do meu nariz e eu, por alguma intuitiva aversão à consultá-los, estava fugindo de comentá-los. 
Continuando a ler esta coluna  vocês vão saber  porque. Não lhes peço concordância e nem  prometo plena satisfação  com meus pontos de vista, mas eles são honestas e representam o que penso.
Eu acho que descobri a razão das minhas reticências. Tenho a mania de sempre querer comparar acontecimentos financeiros da Europa, Ásia e dos Estados Unidos com os nossos daqui e aí eu me perco nas também sempre   diferenças de  costumes e comportamento humano. 
Desta vez vou fazer um imenso esforço  e me ater somente ao exterior, por mais vontade  que me dá  de mesclar  tudo e proclamar  erradamente:   
“vejam como  a cabeça das  pessoas ( povo e dirigentes) das  diferentes classes sociais daqui são  iguais as de lá”.
Alguns de vocês já me conhecem melhor e portanto sabem que  minha  principal preocupação financeira  é sempre com  as finanças das pessoas físicas, desde aquelas das classes mais simples até as  mais sofisticadas, enfim com todas as classes sociais, e bem menos com a denominada ‘macro economia”, que coloca pesquisas, estudos e estatísticas em  um enorme saco comum, imaginando que  teremos todos,  meus caros leitores, perfeitas respostas   para solucionar nossas dúvidas e indagações.
A maioria dos economistas, (mas não querendo ofendê-los, pois estão tão confusos quanto os mortais comuns) imaginam que divulgando os dados   coletados, incluem a absoluta totalidade do universo das pessoas. ( e sem dúvida isto não deixa de ser verdadeiro).
Mas quantas vezes vocês, lendo algum dado estatístico ou pesquisado, divulgado por alguma destas conhecidas empresas públicas ou privadas especializadas, fundações, institutos  ou associações, com centenas de estatísticos e recenseadores, não devem estar dizendo para si mesmos;
“eu não me vejo enquadrado com aqueles dados,
eles podem se referir a outra pessoa, mas não a mim”.
 Chega de filosofia  contestatória. Vou tentar manter minha promessa dada a vocês.
A impressão que me causam as inúmeras notícias e estudos que vejo é de que de fato estamos   penetrando em um mundo completamente diferente de duas ou três décadas atrás. Um mundo onde já não importam ética, autenticidade, moral, transparência, honestidade e outras palavras de significado semelhante.
Esta constatação me dá calafrios, pois sei como é extremamente difícil para o ser humano, por um lado de se desprender de hábitos arraigados e por outro lado adotar novas maneiras  de se comportar em sociedade. Conselhos perenes e sólidos recebidos de familiares muito próximos e queridos  como pais, avôs etc pouca valem neste mundo novo de virtualidade, ilusões e aparências ....  
Decido que vou deixar de lado meus recortes acumulados  de 2 e 3 meses atrás e coloco na minha frente  unicamente a  penúltima edição do “The Economist”  de 18/2/2012 e  faço meus comentários e interpretações derivadas daquela que  considero  a  melhor  revista  que conheço, a respeito do que está ocorrendo neste nosso mundo maluco, conturbado e complexo.
Por exemplo vejo na edição daquela edição que as heróicas empresas japonesas de duas décadas atrás, NEC, Sharp, Panasonic, Sony e Fujitsu   perderam todas, separadamente e em conjunto 2/3 do seu valor nas bolsas de valores.
Gente, isto é muito e é uma calamidade! Imagina que você havia investido 100 mil dólares neles e agora somente tem 30 mil dólares. Essas empresas eram da elite  industrial e econômica do Japão! Você trabalhou em alguma delas? Com toda a probabilidade  então já não trabalha mais! 
No mesmo “The Economist” um quadro específico mostra a queda do G.D.P.(Gross Domestic Product) de alguns países, no último trimestre de 2011;  Áustria, Alemanha, Espanha, Itália, Holanda, Portugal e Grécia em ordem crescente de  perdas substanciais, França é a exceção.
Concluo que nestes países muita gente perdeu ou estão em véspera de perder seus empregos e terão de viver por algum tempo de suas economias, se os tiverem feito anteriormente e, também terão de  enfrentar as extensas filas do seguro desemprego desses países chamados paraísos socializados.
Choro com eles, pois sei como é melancólico e triste passar por tempos difíceis de aperto de cinto, noites mal dormidas, a visão nebulosa do futuro imediato e não sabendo quando dias melhores virão.  
Como há inúmeros anos acompanho de perto os acontecimentos na Europa, vejo como os imóveis, antes valorizando invariavelmente, de ano para ano, agora estão a espera de alguém que os adquire.
Eu sempre era aconselhado a adquirir algum deles  antes que o preço subisse ainda mais.
Desconfiava, entretanto, de que  a constante subida do valor não podia perdurar  por muito tempo e  como não possuía cacife para enfrentar qualquer aquisição dessas, por sorte não entrei em  nenhuma fria.
Tomem como exemplo a Espanha,  ótimo  lugar   para se aposentar para muitos dos habitantes europeus dos países mais  nórdicos. Começaram a construir adoidados e sem planejamento imaginando que a euforia iria perdurar para sempre. Deu no que deu.  
Hoje, o desemprego lá é de 23% e como já escrevi em alguma coluna anterior, vi bairros inteiros de prédios novos e desertos em Madrid. E se lá eu tivesse adquirido imóvel, conseguiria  hoje passá-lo adiante ou obter algum aluguel decente? Creio que não. (Esta última sentença serve também de advertência para quem  adquiriu  na euforia do dólar e  imóvel barato, aleatoriamente “real estate” na Flórida)
História parecida aconteceu também duas décadas atrás com os argentinos no Brasil. Era uma época de dólar artificialmente  barata  para eles. Adquiriram  como adoidados imóveis  em nossas praias do sul e do nordeste. Chegou o momento da verdade e  se tornaram pobres. Tiveram de abandonar  os financiamentos ou vender de qualquer maneira  os imóveis comprados.  
Enquanto estou escrevendo,  me assalta o pensamento de que essas coisas também podem ocorrer   por aqui em alguma data futura, mas prometi não misturar  os acontecimentos da Europa e dos Estados Unidos  com   a nossa realidade.  Estava esquecendo! Fica para outra vez dizer porque penso  que isso pode acontecer.
Confirmando que o mundo mudou mesmo e ainda continua mudando, vejo na pagina 68 da mesma revista “The Economist’ que os maiores lucros  obtidos  para um investimento de US$ 100,00 feito em alguma das seguintes empresas há 10 anos é a seguinte; Apple, valor atual; US$3.919 – Sherbank; US$3.722 – Conoco Phillips  U$1.380 – Amazon;  US$ 1.350 e..... Vale; US$1.250 .
Eu não tive a oportunidade (ou coragem) de investir nelas mas alguns de vocês  quem sabe  apostaram no Vale. Parabéns! 
Agora compara  algumas destas mais visíveis e atuais empresas de fama mundial com algumas das também empresas tradicionais ainda existentes  e você  se perguntará como é possível haver tão radicais mudanças  em tão pouco tempo. As empresas de  “TI”, Tecnologia da Informação e Internet estão na ordem do dia. Empresas de idéias inovadoras e serviços prestados que ninguém sabia há pouco tempo que pudessem ser inventadas, muito menos festejadas e aplaudidas.  Algumas delas estão inchadas qual balões. Você sabe qual delas sobreviverá o dia de amanhã? 
Jamais, apenas pela lógica ou inteligência acertará  na mosca em quem será o futuro Midas, adquirindo suas ações  ainda no nascedouro.  
Será  que essas empresas que agora estão na boca de todos  confirmarão seu valor de mercado como  pretendem?  Apenas o futuro responderá se seus dirigentes são  apenas vendedores de ilusões ou  terão   grande   importância para o futuro  e responsáveis por felicidade eterna da humanidade.
E ainda  indago o seguinte; por quanto tempo  estarão na vanguarda e por quais outras empresas serão engolidas logo em seguida?
Minha gente, fico tonto, as coisas vão depressa demais. Parem que eu quero descer!
Recordo tão bem o poder industrial e econômico da General Motors  dos anos 50, 60 e 70 e a sua quase falência pouco meses atrás... Quem diria, a maior S.A. de Capital Aberto do mundo! 
No Jornal Financial Times de 4/1/2012 vejo o percentual de desemprego  em Outubro 2011 de alguns países; em ordem crescente; Alemanha 5,2 %, Bélgica 6,0%, Portugal 12,5%, Eslováquia 13,5%, Irlanda 14% , Grécia 18% e Espanha 23 %.
Qual será o pano de fundo e a remota causa destas apenas  três amostras  de notícias de que algo não está nada  normal (e estável) na Europa, Ásia e Estados Unidos? Como tudo isso terá  continuidade ?
E não podemos esquecer os bancos.   Seus dirigentes vão me jurar de morte com o que vou dizer.
A meu ver estes onipresentes gigantes ( e  que agora  estão quase todos com pés de barro)    que não tem  mais nada a ver com as inocentes instituições de mera  intermediação financeira de antanho!
Não é por nada que Citi, Bank of America, UBS, Morgan Stanley, HSBC, Merril Lynch, Royal Bank of Scotland, Santander, AIG, Allied Irish Banks e outros perderam muito dinheiro, catástrofe ainda maior, parte essencial de seu próprio capital, e conseqüentemente enorme valor de mercado.
Neste momento estão correndo para que você “please” adquire  novamente parte de seu capital original! Vais entrar nesta para lhe enrolarem novamente? Pobres dos  acionistas  e investidores que confiaram novamente neles.
Pessoalmente me dá arrepios  (e por que não dizer nojo) quando continuo ouvindo  que a razão de ser  dos Bancos Comerciais, de Investimento, Administradoras de Fundos de Investimento, Fundos de Pensão, Corretoras  etc. têm como principal obrigação  dar o máximo de lucro aos seus acionistas.
Para mim, nas entrelinhas  e jamais dito com todas as letras, a interpretação  que deve ser dada a este bordão é; 
“oferecer o maior salário e bônus possível aos seus dirigentes  a custa de produtos dito confiáveis”  (propositadamente deixo de lado as múltiplas interpretações que possam ser dadas para estas autênticas  batatas quentes e podres que são muitos dos produtos  atualmente oferecidos) para serem empurrados aos incautos  e pouco conheceres investidores  finais de fundos em geral e reservas técnicas de entidades de previdência governamentais e privados também. O raciocínio daqueles  dirigentes provavelmente era;
“quem não sabe  do conteúdo, tão pouco vai poder reclamar”.
A ordem geral anterior à crise de 2008, continuando sendo igual neste ano de 2012,   é representada pelas   palavras;  máximo lucro, especulação  e ganância”.
Os organismos fiscalizadores institucionais e bancos centrais, que deveriam zelar  pela qualidade do conteúdo dos investimentos no mundo inteiro, fecharam os olhos e deu no que deu...
Até hoje estou aguardando que alguns dirigentes mais diretamente culpados  sejam colocadas  atrás das grades, pagando por sua ousadia  e visão míope e destorcida,  porém nada  disso acontece.
Leio nesta semana pela internet em jornal holandês que os  milhões de beneficiários de  fundos de pensão holandeses provavelmente terão de se satisfazer com menores rendimentos distribuídos em 2012...
Para encerrar este blog enorme, que escapou dos meu próprios cortes,    penso sempre naquilo que   aprendi nas aulas de química, ainda nos bancos escolares. O grande sábio  francês Lavoisier afirmava que; 
“na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.
Para os muitos (clientes) que perderam e continuarão perdendo nos mercados financeiros  pessimamente administrados e fiscalizados, existirá sempre um  outro grupo bem menor que alegremente  embolsará  uma bolada igual ao perdido por aqueles milhões, sem remorso e sem castigo!
E assim continuará sendo na China, Europa, Estados Unidos... e no Brasil. Amém!
Fique esperto, caro amigo leitor, sei das coisas e quase que apostaria de que nada será alterada aqui ou acolá. Crises financeiras virão e serão esquecidas e outras crises virão mais adiante. 
O melhor que você pode fazer é não acreditar cegamente em tudo que desejam lhe impingir e comece a crer de que negócios fantásticos e milagrosos não existem e de que sempre é bom se aconselhar com  profissionais planejadores financeiros independentes,  éticos e desinteressados! Não necessariamente eu, que  já estou quase retirando o time da quadra!

Louis Frankenberg, CFP®  01-03-2012

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terça-feira, 22 de junho de 2010

Relações incestuosas no mercado acionário?

Seres humanos, com raras exceções, são influenciados por fatores nem sempre dos mais honestos ou transparentes. Interesses conflitantes, ocultos mas mesmo assim inconfundíveis, podem alterar ou favorecer opiniões tendenciosas por parte de analistas financeiros, com a conivência de altas diretorias de empresas. Estas opiniões podem ocasionar distorções avaliação por parte do público investidor. Os papeis de algumas dessas empresas, podem ter grande visibilidade e negociabilidade no mercado acionário.

A revista The Economist, em sua edição de 6 de fevereiro último publicou uma pesquisa efetuada com 1.300 diretores corporativos de Wall Street. Os autores do estudo, James Westphal e Melissa Graebner divulgaram suas impressões no “Academy of Management Journal” no qual, entre outras considerações, afirmam que as lideranças das empresas por eles entrevistados muitas vezes preferem alterar a maneira de divulgar as informações a respeito de seus empreendimentos do que efetivamente fazer mudanças em divulgações contábeis e outras publicações. Em outras palavras seus dirigentes não gostam de ouvir opiniões negativas a respeito da maneira como administram as respectivas empresas, preferindo camuflar dados menos alvissareiros ao em vez de providenciar mudanças estruturais.

Os mesmos autores vão mais longe ainda, afirmando que a tal de Governança Corporativa dessas mesmas empresas perde grande parte da transparência e honestidade opinativa ao encarregar algumas vezes diretores de empresas amigas e, com as quais tem relações comerciais, de transmitir dados positivos e impactantes aos ditos profissionais analistas.

Com essas manobras, no mínimo dúbias, o chamado “rating” ou classificação de agencias especializadas em classificações, tendem a exagerar quando colocam suas características letras maiúsculas e minúsculas, seguidas de sinais positivos ou negativos junto ao nome da empresa visada. Como conseqüência tanto ações como obrigações dessas empresas cotadas nas bolsas tendem a se valorizar ou ao contrário desvalorizar (menos provável), confundindo desta maneira o público investidor, sempre ávido em obter lucros os mais rápidos possíveis.

Penso que deva ser esta uma das principais razões pelas quais algumas empresas não terão posteriormente a performance que se imaginaria pudessem ter caso o público fosse melhor (“honestamente”) informado. Infelizmente cifras, percentuais e demais dados menos interessantes muitas vezes são camuflados ( relevados ou disfarçados através de notas separadas ou mesmo ausentes) enquanto outros fatores mais espetaculares são realçados. Os prognósticos e probabilidades de lucros estão permeados nestes relatórios, sempre cuidadosamente redigidos pela diretoria.

Indo um pouco mais longe, e a conclusão é minha, é esta ultima sentença a razão pela qual algumas dessas empresas muitas vezes acabam posteriormente tendo cotadas suas ações bastante abaixo do que seria de se esperar (e no limite, até quebrando, causando grande reboliço nos mercados), considerando-se apenas a opinião de analistas coniventes e pouco éticos. Estas agencias especializadas em “rating” deveriam ser isentas e independentes, mas deixam de ser quando iludem o público com estas artimanhas.

Não podemos esquecer que agencias de “rating” sempre são contratadas e remuneradas pelas empresas interessadas em suas avaliações, é claro as mais positivas possíveis...

Provavelmente ( e esta também é minha própria opinião) seja essa uma das principais razões pelas quais grupos empresariais, especialmente do ramo financeiro de renome como AIG, Northern Rock, Citi Bank, Bank of Amerika, Royal Bank of Scotland, Fortis, Lehmann Brothers, HBO, UBS, ING, Merril Lynch, Freddi Mac, Fannie Mãe e ultimamente Dubai World, entre tantos outros, tiveram ou continuam tendo enormes dificuldades em limpar seus nomes após a grande crise financeira de 2008. Alguns desses grupos agora estão tentando desesperadamente levantar novo capital junto ao tradicional público investidor, além tentarem convencer fundos tipo hedge, fundos de pensão e fundos soberanos a adquirir participação em seus empreendimentos.

Igualmente é uma das razões de terem chegado à luz do dia, alguns esquemas fraudulentos do tipo Madoff e Stanford.

A pergunta que não cala em minha mente de consultor independente é imaginar se e quando estes relacionamentos incestuosos irão se manifestar publicamente em nosso próprio país, pois sinceramente, não acredito que somos imunes ou acima destas práticas escandalosas.

Será que os dirigentes de algumas das grandes corporações ativas em nosso próprio e incipiente mercado acionário estarão acima das palavras caluniosas por mim descritas­ acima? Acredito que, mais cedo ou mais tarde, algumas práticas menos convencionais, virão à tona. Sinceramente, preferia estar errado.

Finalizo com um conselho por quem já viu de tudo acontecer nas últimas décadas, aqui e alhures; Nunca se deixe influenciar por proclamações demasiadamente otimistas de diretorias de empresas de capital aberto com influencia em nossa própria bolsa de valores, nem por analistas dito especializados, jornalistas sensacionalistas ou quaisquer outros intermediários que possam estar comprometidos com a transparência e a isenção de suas recomendações.

Faça sua própria minuciosa pesquisa de dados e informações antes de adquirir qualquer ação muito recomendada e talvez artificialmente enfeitada para lhe colocar água na boca e lhe fazer correr para obter algumas migalhas da oferta!

Original escrito em 25/2/2010 -re editado em 22/06/2010

*Louis Frankenberg é diretor de Planejamento e Finanças Pessoais da ANEFAC e sócio do site financeiro FINANCENTER,

www.financenter.com.br

Blog; www.seufuturofinanceiro.blogspot.com

e-mail; perfinpl@uol.com.br

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A dança das cadeiras dos maiores bancos do mundo

Há muitos anos acompanho tudo que acontece no hermético mundo dos bancos internacionais. Meu aprendizado neles se iniciou.

Há bastante tempo, como consultor independente, passei para o outro lado do balcão, aconselhando ou, algumas vezes, desaconselhando alguns dos meus clientes a fazer (ou não) negócios com alguns deles, aproveitando o profundo (inside) conhecimento adquirido.

Com o passar do tempo a gente adquire razoável experiência e entendimento de como operam e compreender que alguns deles dão mais valor aos próprios ganhos do que defender os interesses de seus clientes.

Falando francamente, obtém-se suficiente experiência para poder dizer-lhes “permaneça ou saia imediatamente” que era o que eu de fato algumas vezes aconselhava.

Em alemão existe a expressão idiomática “finger spitz gefühl” que significa “sensibilidade na ponta dos dedos” que aqui cabe com perfeição. No passado, já livrei clientes de situações bastante embaraçosas que, posteriormente seriam consideradas acertadas e pelas quais me ficaram eternamente gratos.

O investidor leigo e muito dependente de conselheiros, prefereria pensar que seu dinheiro sempre estaria seguro com qualquer dos conceituados grupos financeiros internacionais cujos conhecidos nomes ilustram os noticiários e páginas dos jornais, mas nem sempre é assim.

Países, assim como bancos conceituados, podem de um ano para outro se converter em bancos duvidosos ou mesmo inseguros.

O fator desconhecimento de abalos subterrâneos que ocorrem e que ainda não vieram a tona, são fatores que sempre deverão ser considerados possíveis por mais que alguma agência internacional de avaliação (Rating) as considera sem ou de relativamente pouco risco. São apenas homens e mulheres que dirigem-nas, com todos seus defeitos e pecadilhos... Vejam a recentíssima matéria de Jonathan Weil, da Bloomberg,no Valor Econômico de 24/5/2010.

Eu já tinha preparado o presente artigo quando li a matéria do Jonathan Weil que confirma inteiramente alguns dos meus dizeres.

Vamos resumidamente enunciar em ordem decrescente o ranking do valor total das ações desses grupos financeiros no mercado acionário das bolsas de valores de Nova York, Londres, Paris, Frankfurt etc.

Em Maio de 1999 ( portanto passados 11 anos), o ranking internacional era assim:

Citi Bank, Bank of Amerika, HSBC, Lloyds TSB, Fannie Mae, Bank One, Wells Fargo, UBS, Bank of Tokyo-Mitsubishi, Chase Manhattan, Morgan Stanley, Credit Suisse, Barclays, First Union, Charles Schwab, Freddie Mac, National Westminster, Santander, Sumitomo, Goldman Sachs.

Na época, 9 dos 21 bancos eram norte americanos, 4 eram ingleses, 2 eram suíços e 2 eram japoneses.

Nos 20 primeiros lugares não estava presente nenhum banco de qualquer país em desenvolvimento.

Observem o que aconteceu na crise financeira iniciada em 2007 e ainda continuando no ano seguinte:

Em Abril de 2008 a empresa especializada Bloomberg divulgou que Citigroup já havia perdido então US$ 40,9 bilhões na crise- UBS já havia perdido U$$ 38 bilhões- Merril Lynch US$ 31,7- Bank of Amerika US$ 14,9- Morgan Stanley, US$ 12,6 - HSBC US$ 12,4 etc. Tudo bilhões!

A carnificina nem havia ainda terminado e o Banco de Investimento Lehman Brothers já estava integralmente fora de combate desde o início e o grupo Merril Lynch seria em seguida incorporado pelo Bank of Amerika para salvar-se do naufrágio ...

Notem que nenhum dos bancos era dos BRIC’s (Brasil, Rússia, Índia ou China).

Com dados atuais de 28 de Abril de 2010, de acordo com a mesma fonte especializada Bloomberg, e publicado na edição de 15 de Maio de 2010, a revista The Economist, divulgou o mais recente ranking do valor de mercado da totalidade das ações dos novos reis do universo financeiro, também colocadas por mim em ordem decrescente:

Industrial and Commercial Bank of China, 1º- China Construction Bank, 2º- HSBC, 5º - Bank of China 7º- Citigroup, 8º - Santander, 9º - Itau-Unibanco, 11º - Sberbank, 20º -Bradesco, 24º- Standard Chartered, 25º-Bank of Communications, 26º - UniCredit, 29º - BBVA, 32º e China Merchants Bank 33º, Banco do Brasil, 34º e outros…

Até quando este ranking será mantido? Ninguém sabe...

Restou apenas um banco norte americano, situada agora em 7º lugar, 4 bancos são agora chineses, estando um em 1º e outro em 2º lugar, 2 são ingleses, 2 são espanhóis, 1 é italiano e vejam só, nosso Itaú ocupa o 11º lugar (quem adivinharia isso há apenas alguns poucos anos), Bradesco ocupa o 24º lugar e Banco do Brasil está em 34º lugar!

Amigos leitores do meu blog, a ética e insuficiente espaço não me permitem descrever com maiores detalhes as cenas que ocorreram nos bastidores desta dança do ranking nesta última década.

Apenas a alteração havida já deveria servir como alerta à vocês, para terem o máximo de cuidado ao colocarem seu patrimônio financeiro em mãos indevidos.

Na condição de planejador financeiro sugiro que a partir de hoje, além de verificar o rendimento real do seu dinheiro, descontada a inflação, acompanhem também o valor de mercado das ações dos grupos financeiros envolvidos na gestão da sua grana, nas maiores bolsas internacionais (no Brasil, seria a BOVESPA).

Esta medida de precaução adicional, poderá dar-lhe indicações prematuras de que algo provavelmente não está em ordem. Lembrem-se sempre que dinheiro é covarde e que os grandes e maiores acionistas destes grupos peso pesado, qual ratos, serão os primeiros a abandonar o barco quando estão correndo perigo...

Caso meu blog lhe agrada, divulgue-o entre seus familiares, colegas e amigos e não tenha vergonha de me mandar alguma mensagem de apoio ou de contestação. A audiência está aumentando a cada dia que passa. Obrigado amigos!

Louis Frankenberg - 27/5/2010

e-mail; perfinpl@uol.com.br

blog; www.seufuturofinanceiro.blogspot.com

domingo, 28 de março de 2010

Ningém queria me escutar!

Recém publicado nos Estados Unidos, este é o título do livro escrito por Harry Markopolos, em inglês “No one would listen”. Markopolos é um analista de investimentos trabalhando em Nova York e que já em 1999 afirmava que algo de errado estava ocorrendo com os fundos de investimento de Bernard Madoff. Os chefes dele em Wall Street o pressionavam para igualar os investimentos do então insuperável guru Madoff. Ele, auto denominando-se de fanático, não podia acreditar naquilo que os gráficos demonstravam. Em 5 ocasiões diferentes ele se dirigiu às autoridades do S.E.C. o equivalente nos Estados Unidosde de nosso C.V.M. informando-lhes que precisavam investigar melhor o famoso dirigente de fundos. Ninguém queria me escutar clamava ele no vazio. A última vez foi em 2005 dando múltiplas razões para sua desconfiança. Em seu livro ele chama as autoridades do S.E.C. de incompetentes e arrogantes. Com toda a razão!

Fonte;The Economist, 20.3.2010 - L. Frankenberg

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Tamanho não é documento

Investidores de grandes instituições financeiras estão totalmente insatisfeitos pela maneira como são tratados. Acreditam que apenas recebem migalhas por intermédio dos dividendos e outras formas de remuneração, enquanto funcionários privilegiados das mesmas auferem altos salários e gratificações, além de bonificações. Esta é uma das maiores razões pelas quais tantos grupos financeiros têm suas ações desvalorizadas nas bolsas. 36 mil funcionários da Goldman Sachs levaram cada um para casa em média US$ 447 mil em 2009. Bank of America pagou 88 cents para cada dólar de lucro que tiveram, para cada um dos seus funcionários em 2009, enquanto os acionistas receberam apenas o restante (12 centavos). Morgan Stanley pagou aos seus privilegiados funcionários 94 cents de cada dólar recebido. O coitado do Citibank pagou aos seus funcionários no ano passado US$ 1,45 para cada dólar que conseguiu arrecadar. Contabilidade às avessas, minha gente. Cada funcionário recebeu em média US$ 94 mil! O acionista (aquele que sempre paga a conta) ficou chupando os dedos. Morgan Stanley pagou 63 cents de dólar, e assim por diante. Dá no que pensar não é, minha gente? Antes de comprar qualquer participação de algum destes grupos, avalie bem se você gostaria de entregar seu suado dinheirinho a este pessoal ganancioso, que pensa mais em si mesmo do que no acionista. Um dirigente da família de fundos Vanguard, um dos maiores e mais competentes dos Estados Unidos, comentou que os acionistas fariam melhor em acordar de vez! ( fonte: I.H.T 28-01-2010)