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sábado, 21 de abril de 2012

A extrema complexidade dos fatores relacionados com nossas finanças pessoais


Considerações a respeito de sucesso e insucesso financeiro

Louis Frankenberg,CFP  21-04-2012

Não tenho qualquer dúvida de que a atitude perante a vida e o dinheiro depende muitíssimo da herança genética que recebemos de nossos antepassados remotos e mais recentes.
Observando meus três filhos, hoje em dia adultos e com suas próprias famílias constituídas, verifico  que  cada um deles lida diferentemente com as finanças e inúmeros outros aspectos de sua  própria vida.
Anos de prática me induziram a concluir que a herança genética é central, fundamental mesmo e que, junto com os conhecimentos científicos atuais e continuamente sendo descobertos na atualidade pela neurociência a respeito do funcionamento da mente, apenas confirmam que somos iniciantes perante o colosso que é nosso desconhecimento. 
Inúmeras incógnitas e dúvidas, ainda  subsistem e, nós  diminutos e frágeis seres humanos  com os parcos  conhecimentos que acumulamos, continuaremos sendo dependentes em grande parte dos deuses do desconhecido.  
Após inúmeros anos de atividade profissional neste fascinante segmento do conhecimento humano que são as finanças pessoais, ruminando muitas vezes a respeito das reviravoltas do meu próprio comportamento financeiro (e dos gravíssimos erros também  por mim cometidos), somado ao do limitado conhecimento acumulado pela observação do comportamento de familiares, amigos, e clientes, o exemplo e ensinamentos de nossos pais ou responsáveis, têm também enorme importância na maneira de como iremos pensar e agir em relação as nossas próprias vidas financeiras.    
Apesar dos grandes avanços da psicologia econômica, em destaque a das finanças, e do crescente conhecimento que estamos obtendo das descobertas  da Neurologia, sabemos que  o ser humano costuma agir erraticamente ou seja sendo pouco racional.    
Pessoalmente estou convencido que um dos  fatores preponderantes existentes para alcançarmos o chamado “sucesso financeiro”, passa  por  uma  fase  anterior que eu identificaria  como  sendo  de conscientização.
Em dado momento de nossas vidas  passamos a indagar   quem somos e o que queremos  dela.
Muito provavelmente, nessa mesma fase inicial da nossa jornada rumo a maturidade  e que geralmente ocorre em algum momento de nossa própria juventude ou mesmo puberdade ocorrem estes questionamentos e dúvidas.
Passamos então a observar e analisar em profundidade as pessoas que nos cercaram e transitaram em nossa esfera de influência (pais, familiares, amigos, colegas, personalidades públicas, formadores de opinião, etc.) identificando seus pontos altos, virtudes, defeitos e, mentalmente os colocamos num pedestal ou  ao contrário, abominando alguns  dos traços de suas personalidades, não querendo lhes ser igual.
Muitíssimo resumidamente eu poderia representar a  avaliação  resultante daquelas observações em nossas mentes da seguinte maneira;  
 Desejo  ser como   aquela determinada pessoa” ou opostamente,
“De maneira alguma quero ser parecida com aquela pessoa”.
Quem sabe, esta  talvez questionada conclusão irá determinar pelo resto de nossas  vidas, a maneira de como iremos nos comportar em relação a situações  que se assemelham a imagem mental que acima  tracei.
Acredito que aquela importante fase  da juventude ou puberdade, em que buscávamos  nossa própria auto estima, auto afirmação ou  seja   desejosos de sermos pessoas  que a sociedade   respeitasse  e admirasse é muitíssimo importante  na formação de nosso caráter.
Ela certamente concorre para que tenhamos sucesso caso os exemplos recebidos forem positivos.
As reflexões acima são absolutamente críticas para  desenvolvermos nossos próprios ideais, prioridades e supremos objetivos de vida.   
Pois bem, é também nesta mesma época de nossas vidas que deveríamos nos conceder uma pausa para meditação para determinar quais são essas nossas mais profundas habilidades, conhecimentos  prioridades e objetivos de vida e se de fato já os tenhamos identificados corretamente.
Na mesma ocasião também deveríamos  tentar descobrir quais são os  aspectos  de nossas próprias vidas que nos são mais valiosas e principalmente estabelecer metas factíveis.  
Uma vez determinados todos estes critérios, reflexões, desejos e sonhos, será bem mais fácil definirmos nosso rumo e qual deveria ser  a melhor maneira  de alcançar  o arco íris  do chamado êxito financeiro.
Como simples exemplo de entender  algumas das características aos quais estou me referindo constantemente, repito  que devemos  fazer questão de sempre nos  auto auscultar e auto analisar, ou seja, saber se somos pessoas ambiciosas, lutadores, persistentes, otimistas, idealistas etc. ou   exatamente   antônimos destas maneiras de ser que em nada nós diminuem, apenas distinguem.
Portanto são todas essas especificidades somente nossas e que somente nos mesmos conseguimos definir com exatidão que vão ultimamente definir se teremos maior probabilidade de êxito em nossa longa caminhada rumo ao sucesso econômico-financeiro.
Acrescento ainda que você não tem nada de anormal caso não compartilha destas idéias e acredita que sucesso financeiro não é uma das suas metas prioritárias.
Felicidade, família, saúde, aventura, diversão e lazer são algumas  das demais  metas e objetivos prioritárias de inúmeras pessoas ao redor do mundo!
Caso alguém quisesse me perguntar qual seria o percentual de pontuação que eu daria a cada um dos fatores  desenvolvidos em minha teoria  e considerações acima citadas, devo  honestamente responder que não tenho a resposta e ainda acrescentaria que a matemática  certamente não tem nada a ver com a nossa mente e determinado comportamento como seres humanos que somos, todos  diferentes entre si.
Igualmente desconhecemos o teor de tantas outras incógnitas que possam fazer parte desta complexa equação   envolvendo o sucesso ou insucesso de alguém em relação as suas finanças.
Pessoalmente, retrocedendo ao meu passado, penso que   levei muitíssimos anos para   me conhecer melhor e conseqüentemente rechaçar idéias  e situações  que periodicamente me foram colocadas pela frente e que intimamente eu sabia que não coincidiam com a minha filosofia  de vida.
É esta a principal razão  porque passei em quase todas as minhas palestras a divulgar a importância de sermos absolutamente autênticos, sermos nós mesmos, e não meramente alguma fajuta cópia carbono de alguém que admiramos e/ou respeitamos.
Acredito ainda que uma boa dose de humildade e sinceridade para consigo mesmo são igualmente ingredientes imprescindíveis para nosso crescimento  intelectual,  predicados estes  razoavelmente  positivos e influenciadores  para termos  uma  maior probabilidade de  êxito financeiro.
A medida que vamos  amadurecendo e mantermos como norma  primária praticar  a auto crítica e o auto conhecimento,  vamos aprimorando  essa nossa  própria personalidade.
Fácil? De maneira alguma!
Mas como recompensa caso seguirmos nosso instinto, pouco a pouco tornamo-nos  pessoas conscientes  daquilo e seremos capazes de criar, de produzir  e, não precisaremos jamais pedir emprestado de outras pessoas, idéias, ideologias, características e maneiras de ser.    
Tudo que até agora expus, se amolda também  perfeitamente na busca de nosso aprimoramento profissional e na  busca da   felicidade, família, saúde, aventura, diversão e lazer   e que não seja necessariamente apenas sucesso financeiro.    
Eu mesmo levei inúmeros anos até me encontrar naquela profissão que casasse perfeitamente com minhas especificidades  de personalidade e objetivos de vida.
A melhor e mais antiga receita para esta conquista continua sendo; trabalhar com entusiasmo, otimismo e alegria  naquilo que  você sabe fazer e sempre se aperfeiçoando e renovando.
Mas até agora não abordei uma  palavra  infelizmente   tão esquecida neste nosso Brasil dos dias atuais  e que pelo menos  no dicionário continua  constando como sendo “ética”.   
Acredito que a gente terá de se perguntar constantemente se as palavras que pronunciamos ou negócios que recomendamos, eventualmente não irão prejudicar outras pessoas  e se a resposta   for  um “não”, podemos tranqüilamente seguir adiante, com a consciência tranqüila de termos bem feito nossas lições de casa. Com estas práticas conquistaremos inúmeros amigos e clientes satisfeitos que irão acreditar em nossa opinião e conselhos.  
Deparei ainda nesta minha prolongada jornada que muita ganância e falta de  escrúpulos, podem nos levar rapidamente à desgraça e outras embrulhadas.  
A conquista de um lugar ao sol, na qual  teremos uma vida confortável, talvez não uma maior riqueza não será uma conquista simples, ao contrário, estará dependendo de tudo que tratamos anteriormente e muitos fatores imponderáveis que também eu desconheço.   
Quero ainda proclamar que a experiência que pessoalmente acumulei, acompanhando muitas centenas de clientes, amigos e familiares pelos anos afora, permitem-me afirmar que a acumulação de um razoável patrimônio quase nunca provém de herança,  algum negócio fabuloso ou da deusa chamada sorte, porém muito mais vezes da acumulação sistemática, tijolo sobre tijolo e  que passam então a  formar uma estrutura sólida capaz de agüentar alguns ventos e até tempestades.    
Menos de 1% dos seres humanos tornam-se muitíssimos ricos, talvez 5% consigam acumular um patrimônio suficientemente bom para terem uma vida  razoavelmente confortável.
Entretanto é bom não esquecer que a maior parcela da população mundial (e não apenas a brasileira!), isto é mais de 90%, jamais alcançou no passado distante ou mais recente  a tão almejada condição sofisticada, sem  qualquer  forma de preocupação financeira.    
Pensem nisto quando  passarem a  meditar  sobre tudo que acima escrevi.
E para arrematar estas reflexões  tão filosóficas e profundas, jamais acreditem em livros (e pessoas) que  divulgam fórmulas mágicas que ensinam aos incautos a se tornarem milionários em 10 simples lições.  
Não existe esta fórmula mágica. Acreditem somente no uso inteligente e racional de nossa mente, que deve ser ouvida,  treinada e respeitada naquilo que nos indica de como cada um de nós  funciona  por dentro.  
Tomem nota; somos apenas parte integrante do reino animal, algumas vezes até racionais mas  também com  características  extremamente volúveis e controvertidas.     
Forte abraço de um calejado e sincero planejador financeiro que acredita  que apenas  cifras e percentuais não são suficientes para  alcançarmos a prosperidade.

Louis Frankenberg,CFP®   21-04-2012


                                                                                                                                  

           

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A poderosa influência da mente no comportamento financeiro do indivíduo


Louis Frankenberg,CFP®  20.02.2012
O período de Carnaval provavelmente não é a melhor  época para abordar um tema  cada vez mais dominante  e fazer uma breve análise   a respeito do assunto. Como bem sabemos, nossas finanças    são determinadas por complexos   fatores de ordem   comportamental.   
Para introduzir o assunto  resolvi reproduzir uma matéria de minha autoria recém publicada neste mês de Fevereiro pela ANEFAC, (www.anefac.com.br) a Associação de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, da qual  também sou um dos diretores.  O título é;
Este cérebro complexo é o supremo comandante de nossas ações”.
Eis o texto exatamente como foi publicado; 
“Creio que foi no ano de 2005 que tive a honra de escutar pela 1ª vez e pessoalmente o psicólogo, Dr.Daniel Kahneman, da Princeton University, Prêmio Nobel de Economia de 2.002. Eu já o seguia de perto há tempos e com enorme fascínio pelo conteúdo de suas teorias a respeito de como funcionava nosso cérebro, que coincidia 100%  com minha filosofia de planejador financeiro pessoal.
Desde o início da minha atividade como planejador financeiro nos anos 70  eu acreditava piamente que não era suficiente indicar aos meus clientes  investimentos diversificados de renda fixa ou variável.
A maioria  dos investidores naquela época só pensava em obter a maior renda possível, como poderiam fugir da perda do poder aquisitivo da moeda e do pagamento de impostos...
Eu imaginava que o fator primordial era conhecer o melhor possível meus clientes e, sempre que possível os convidava para uma conversa informal, de preferência o casal, para entender quais eram suas prioridades de vida.   
Mas não fui eu, porém Kahneman que conquistou o mundo financeiro para os incríveis conceitos do “Behaviour Finance” ou seja “Comportamento Financeiro”. 
Atualmente, não passa uma semana em que não leio no “The Economist” e outras revistas especializadas, matérias a respeito da enorme evolução que está havendo no cada vez maior conhecimento que está se obtendo sobre o funcionamento de nosso cérebro.  
Após inúmeros anos  praticando o planejamento financeiro, recentemente  resolvi enfrentar um curso de pós graduação em “Psicologia Econômica” na PUC, com a Professora Vera Rita de Mello Ferreira e toda a minha experiência prática  foi  sendo   reconfirmada pelas descobertas feitas naquela área do conhecimento...
Sabe-se hoje que o “ Sistema  Límbico” do cérebro  é o local onde nossos  instintos primitivos dominam; são nossos medos, ansiedades, impulsos, irracionalidades,   memória de acontecimentos negativos etc.
Nesta longa e constante evolução do ser humano pelos séculos afora, aos poucos desenvolvemos o “Neo Cortex”,ou seja a parte frontal do cérebro onde estão localizadas nossa lógica, múltiplas formas de comunicação que desenvolvemos; elas são a parte racional, a parte da inteligência que somente  nós seres humanos possuímos (e as vezes tão erradamente utilizamos).
Sabe-se hoje em dia que o “Sistema Límbico” é a parte primitiva do cérebro na qual  os instintos  são dez  vezes mais poderosos que o  “Neo Córtex”!
Esta é a principal razão pela qual  é   tão difícil tomarmos decisões racionais em relação ao dinheiro e tantos outros  aspectos de nossas vidas quotidianas.
Aparentemente não existem conexões entre o Sistema Límbico e o Neo Córtex e decorrente deste fato  torna-se extremamente difícil pensarmos no longo prazo, em escolhermos investimentos menos imediatistas ou pensarmos seriamente em nossa aposentadoria quando ainda  distante.  Geralmente optamos por pensar no imediatismo das coisas prazerosas. Alguém discorda?”

Até aí a matéria em questão  tal como foi publicada na revista da ANEFAC.
Bem, vocês podem com toda razão  concluir que não é sem razão que nós seres humanos somos escravos, vinculados e dependentes de   nossos  próprios vícios. Que atire a primeira pedra quem afirma que não os têm!
Fascinado há anos pelo assunto da falta de domínio e controle sobre nossas próprias vontades, procuro ler e entender matérias científicas que, cada vez em maior número,  comprovam  que nosso cérebro comanda e policia tudo e que quase sempre somos  irremediavelmente subjugados por desejos, vícios e vontades que superam  as advertências de outro comando deste mesmo cérebro bem mais fraco  e volúvel.    
Na maioria de nós uma  tímida   voz em segundo plano nos diz  por exemplo de que não devemos fazer tal investimento por ser  demasiado arriscado ou então que,  Joãozinho, pela informação de conhecidos nossos,  não é pessoa de bem e de que não devemos nos associar a ele naquele novo empreendimento que ele nos propôs...
Entretanto,  nosso “Sistema Límbico” não  somente nos envolve  em questões  financeiras ou  de nosso  caráter. O domínio  mental sobre a gente  vai muito além e na prática somos na maioria das vezes vencido por ele.
Ele se insinua e ainda nos envolve inapelavelmente  com aquela vizinha  gostosa  que,  com seus olhares  enfeitiçadores nos deixa louco, mas que tem um marido com o qual seria mais conveniente não se meter. (Mesmo assim, muitos homens não resistem...)
Esta primitiva e dominante força presente desde o começo da humanidade na maioria das vezes acaba vencendo  nossas próprias dúvidas e restrições. Também  sucumbimos ante a temerária letra severa da lei seca quando, no bar da esquina, na companhia de   amigos  uma voz interior  nos adverte de que  já bebemos o suficiente cerveja ou vinho, pois ainda teremos pela frente  o ato de dirigir nosso carro para chegarmos  sãos e salvos em casa.

Voltando ao tema das finanças pessoais, na condição de planejador financeiro de carteirinha e com  muito aconselhamento   nas costas, continuo abismado com a quantidade de pessoas  que têm coragem de pagar as taxas de juros geralmente   elevadas e até  mesmo absurdas  que nos são debitadas pelo uso do cartão de crédito além do período de graça ou então pelo cheque especial para o qual em última instância resolvemos apelar.
São todos, sem exceção,  grandes e imperceptíveis ladrões de nosso suado dinheirinho.
Em época não longe de nossa malfadada economia passada, a da grande inflação, ainda seria admitido pagar  8% a 12% de juros mensais pela  aquisição de algum bem de consumo, mas não mais hoje em dia, quando você obtém em sua caderneta de poupança  apenas 0,5% mensais de rendimento ou quem sabe até um pouco mais em outra aplicação (mesmo sabendo que a inflação atual lhe retira sorrateiramente   percentual igual).
A imensa vontade de possuir imediatamente um par de sapatos, um relógio, uma blusa, um celular ultimo modelo e até aquele modelo novo de automóvel,  é  condição suficiente para homens e mulheres sem distinção,  bloquearem seus raciocínios lógicos e caírem na tentação de obtê-los de qualquer maneira.   Tudo resultante  deste maldito e primitivo “Sistema Límbico”, dez vezes mais poderoso que o “Neo Córtex do qual já falamos mais acima.   
Invariavelmente  todos  os  levantamentos e estudos sobre poupança e reservas das diversas classes sócio econômicas afirmam que a maior parte  de nossa população não tem um miserável Real guardado em alguma conta bancária de  reserva ou fundo de pensão complementar. As mesmas pesquisas comprovam que o endividamento destes cidadãos podem  vir a alcançar entre 25% a 35% de suas  receitas mensais.
Se você meu caro amigo ou amiga faz parte deste contingente, envergonhe-se  e mude imediatamente alguns dos seus conceitos para seu próprio bem!
Você sabe por experiência própria ou decorrente de histórias que já ouviu, que é muito melhor para sua saúde financeira e mental ter sempre a mão uma reserva  para os tais  momentos  de desespero no qual o mundo ao seu  redor  subitamente desabou  e está sendo embaraçoso  pedir ajuda a familiares   ou amigos...
É apenas  neste exato momento  que você pensa que teria sido melhor ter uma boa reserva  disponível no banco do que ao invés, ter entrado em um financiamento  para a aquisição da mais recente  versão do  seu  carro favorito...
Eu, ao contrário, faço esforço para continuar sendo a pessoa dos meus primeiros anos de luta para ser alguém na vida,  quando revolvia cada tostão duas ou mais vezes na mão antes  de me decidir como gastá-lo. Mão de vaca?  Pão duro?  Nada disto, eu era apenas  muitíssimo consciente  em saber quais eram as minhas prioridades de vida e como seria  difícil conquistar um lugar ao sol sem fazer alguns sacrifícios.
Naquela  época, hoje longínquo, adotei um princípio  que tentei inclusive  transmitir aos meus filhos e a muitos dos meus clientes. Alguns  destes últimos  o adotaram e, provavelmente se deram bem, outros preferiram  continuar  sendo   a cigarra da fábula de Aesopo ao não  adotar a fórmula da formiga.
Qual era este meu princípio?   Querem mesmo saber? Então aí vai.
“Caso eu gastasse meu suado dinheirinho em uma porção de coisas pequeninhas, jamais teria condições de alcançar meus principais  objetivos ( e sonhos) de vida.”  E eu sabia muito bem o que queria para mim mesmo!
A ciência neurológica, cada vez mais com maior certeza e objetividade está conseguindo comprovar que   certas substâncias químicas atuantes em nosso cérebro  são os  grandes responsáveis por nossos vícios.  Não é tarefa fácil, contornar ou submeter  estas forças  naturais  que algum ser superior projetou para nós.
Devemos portanto tentar dominar o fato de  querer adquirir bens ou cometer outra qualquer insensatez  que comprovadamente será dez vezes mais poderoso que aquela voz tímida e pouco eficaz que fracamente nós sussurra  que aquele ato  vai  futuramente  nos  custar caro.   
Uma super dose da substância chamada adrenalina  é o responsável por tanta gente ir além do razoável para alcançar algum objetivo, arriscando-se muito. A adrenalina é doce, encantadora mesmo e por isso mesmo 1.000 vezes mais perigosa do que conscientemente admitimos!  
Não é sem razão que  as melhores  e mais inteligentes instituições financeiras tentam descobrir  quais os produtos  e serviços que devem oferecer a cada um dos seus clientes.
O chamado perfil  de risco divide cada um de nós em  cautelosos, conservadores,  prudentes, liberais, inovadores, aventureiros, especuladores,  audaciosos, ambiciosos, empreendedores etc.  Tente você mesmo descobrir em qual das classificações que melhor se enquadra e de hoje em diante tente também dominar aquela vozinha melosa  que lhe impulsiona a cometer erros dos quais possa se arrepender amargamente amanhã!
Agradecido por ser meu leitor  fiel, me despeço por hoje desejando-lhe um bom carnaval ( mas sem excessos!)
Louis Frankenberg,CFP®  20-02-2012
  
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sábado, 4 de fevereiro de 2012

A filosofia embutida em meu  blog  “Dinheiro Sempre by Frankenberg”

Louis Frankenberg,CFP®         04-02-2012

Estamos dando início ao nosso 3º ano consecutivo de atividade como divulgador de crônicas, informações e demais assuntos direta ou indiretamente relacionados com dinheiro.
Desejo realçar novamente àqueles que há tempos nos prestigiam e também aos mais novos aderentes do blog que, nosso maior interesse ao divulgar pensamentos, idéias e comentários quase nunca são representados pelos meus próprios e  mesquinhos interesses.
Procuro sim muitas vezes  esmiuçar  ou ampliar  algumas das agendas  ocultas debatidas pela imprensa em geral,  por   inúmeros profissionais e/ou    entidades financeiras e que são movidas  tantas  vezes  apenas por interesses  nem sempre transparentes.  
Jornalistas algumas vezes ingênuos ou mesmo insuficientemente conhecedores dos temas que abordam, também promovem produtos e serviços nem sempre isentos e éticos.
Não faço (e não desejo) fazer parte deste grupo, pois sou orgulhosamente independente e  como diria certo jornal de circulação nacional em passado bem recente, não tenho o rabo preso...
Repito novamente àqueles que queiram me escutar e não serem ludibriados e, tardiamente em algum momento futuro  confirmarem o acerto desta minha  próxima afirmativa  de que;
“Nações através de suas lideranças e dirigentes, corporações  e pessoas individualmente  quase sempre  são movidas  por interesses  diretos ou camuflados e não  por puro idealismo, irmanadas no desejo de apenas ajudar aos seus semelhantes”. 
É óbvio que meus pensamentos mais profundos divulgados neste blog não necessariamente são   sagrados ou absolutos, apenas fruto de anos de experiência e conhecimento adquirido na profissão de planejador financeiro.  
Também por esta mesma razão, apesar de ter sido cooptado a participar  de algumas dessas atuais entidades denominadas “redes sociais” tais  como facebook, linkedin, twitter etc”,   vejo muitas vezes nelas apenas interesses  mesquinhos  egoístas de auto promoção.
Exemplificando meu ponto de vista; como posso chamar de “amigo” alguém que conheço de alguma fortuita reunião social  ou corporativa ou então outra pessoa que há muitos anos assistiu a alguma das minhas palestras ou seminários financeiros e da qual nem  mesmo lembro o nome?
Deveria eu definir todas elas incondicionalmente como  deleto amigo ou amiga? Não consigo!
Somente definiria ser amigo de alguém (e fica sendo esta minha explicação para aqueles que não entendem por eu teimar em ignorar seu honrado convite),sem que essa mesma pessoa me explique com maiores detalhes  como me conheceu e, conseqüentemente  na minha  pobre memória  acenda-se uma luz esclarecedora). Também aceitaria ser amigo(a) a quem me explicasse a razão do seu interesse em me conhecer melhor.
Imagino que, aqueles que até agora buscaram fazer parte  da minha rede social, devem ter ficar enormemente frustrados com meu silêncio monumental, ignorando-lhes a existência. Está dada a explicação.
Não faço nenhuma questão  em ampliar quantitativamente o número  de amigos ou seguidores  desconhecidos... Não desejo ser um daqueles que clama de que tem tantas centenas de amigos ou seguidores.
Interessa-me sim, identificação mental e de propósitos, troca de inteligentes contestações  ou mesmo apoio.
O ano de 2012 já está em seu 2º mês e  eu andei pelo mundo, visitando familiares  por razoável  período de tempo. Como gosto de conhecer novos lugares e  gentes interessantes!
Mas o que vale é de que estou de volta, cheio de novas idéias e energia, prometendo abordar novos assuntos, alguns cuidadosamente   recortados e guardados de jornais lidos no exterior e que sempre me servem como lembretes ou inspiração para novas crônicas.
Através deste excelente  software   chamado “Google Analytics”, fico sabendo  dia após  dia  quantos leitores visitaram meu blog, quantas vezes um mesmo leitor clicou em meu blog, quais os portais ou fontes intermediárias existentes entre meu blog e o leitor, quantos minutos  este mesmo leitor   fica lendo  minhas escritas ( a média é de quase 2 minutos) e quais as matérias que mais são acessadas.Somente não fico sabendo seu nome e e-mail e se gostou ou não do que leu.
Apesar de não serem centenas de milhares que me  honram com sua leitura, aproximadamente 15% daqueles que passarei a chamar de “virtuais ou quase amigos” entraram mais de 50 vezes no meu blog www.seufuturofinanceiro.blogspot.com e metade deles ultrapassaram até o número mágico de 100 vezes!  
Quanta dedicação, quanta fidelidade. Meu sincero e muito obrigado a vocês leitores fieis e persistentes.
Quando no exterior e de pura brincadeira eu consultava de vez em quando a  “Google Analytics”, acreditando que após uma ou duas semanas de  ausência total de novas crônicas ninguém mais  iria se dar ao trabalho de clicar no blog. Mero engano. Pelo menos de 5 a 10 leitores persistentes continuavam a abrir o mesmo para ver se  por acaso haveria alguma novidade. Peço desculpas a vocês, caros “quase amigos” que os decepcionei ao manter meu silêncio por tanto tempo.  
Prometo voltar ainda esta semana com novidades daqui e do mundo. Caso desejarem se comunicar comigo, meus endereços de e-mail continuam sendo; perfinpl@uol.com.br ou lframont@gmail.com
Um forte abraço e tardiamente um feliz 2012!

Louis Frankenberg,CFP®  04.02.2012


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Ficar e manter-se bem financeiramente a vida inteira

 
Louis Frankenberg,CFP

Não tenho a mínima dúvida de que coletivamente somos um povo altamente consumista.
A experiência obtida no decorrer da minha vida profissional, adicionada  a inúmeros cursos de pós graduação em finanças pessoais e comportamental do indivíduo, me convenceram definitivamente que  querer possuir tudo que  nossos familiares, amigos ou colegas já têm (e de preferência imediatamente) é algo que  a maioria dos seres humanos  mais almejam. 
Parece que nossos patrícios   também não conseguem reprimir  este impulso  tão intenso, muitas   vezes bem acima de suas possibilidades financeiras individuais e familiares.
Acredito que adquirimos este mau hábito de nossos vizinhos norte americanos, o povo mais consumista do mundo e que agora também estão sofrendo a consequência deste péssimo costume.
Estamos agora  mesmo assistindo ao enorme fogo que foi ateado no palco  também chamado  de 1o mundo sócio econômico e financeiro.
O Banco Central do Brasil, nossa Presidenta e os melhores economistas não  podem nos garantir  que    não vamos também nos tornar    vítimas  do mesmo mal que atualmente assola governos e instituições financeiras de tantos  países do mundo inteiro. Nossas autoridades  preferem não divulgar dados alarmistas e quem sabe nem cheguemos aos  extremos que ocorrem atualmente na Grécia.
Sou um observador neutro mas experiente,  muito consciente e atento ao que acontece ao meu redor e receio pelo constante e gradativo inchaço da máquina do Estado Brasileiro  em todos os seus segmentos e que está ocorrendo desde  alguns anos passados.  
Situação exatamente semelhante ocorria nos países que agora estão infectados pela crise e lutando  desesperadamente contra seus déficits gigantescos.
Por falar nisso, você amigo leitor, está devidamente preparado para perder seu emprego  e continuar mantendo seu atual status social etc por digamos um ano ou mais? Se estiver ou não, continue lendo...
Lamento também que nosso povo  permite  passivamente que este nosso Estado perdulário (não querendo citar algum termo mais forte, porém verdadeiro)  incremente continuamente e sem parar os elevadíssimos tributos  que pagamos, sem destinar suficientemente os bilhões arrecadados, à nossa saúde pública, à educação fundamental tão deficiente, à segurança de nos todos  e finalmente aos desamparados aposentados  que contribuíram  durante suas vidas úteis com grande parcela dos seus ganhos para ter  a garantia da velhice tranqüila que mereceriam.
Apenas poucos têm suficiente renda e, por essa mesma razão, pagam duplamente estes mesmos serviços de seus próprios bolsos, mas que deveriam ser prestados pelo Estado Brasileiro com os tributos arrecadados.
E como ficam aqueles  muitos que não podem se dar ao luxo desta extravagância ?
Em minhas palestras e seminários  relacionadas com a importância da  poupança pessoal fui sempre  incentivador da edução financeira  no sentido das   famílias criarem reservas para momentos    díficeis e imprevistos de suas vidas e, consequentemente  se tornassem dependentes das absurdas taxas de juros praticados em nosso país, que invariavelmente embutem  pesados  impostos governamentais, além dos ganhos  de intermediários etc.
Por essa razão resolvi  de agora em diante e, de vez em quando, publicar quadros que criei  originalmente desde 1990 em "Power Point" ou seja imagens  de situações óbvias e  muito visuais  que talvez ajudem a alterar o comportamento de  alguns dos meus leitores e outras  pessoas  de suas relações.  
Peço  a ajuda de vocês amigos para divulgarem as orientações de alguns desses quadros para quem necessita delas.
Possuo um enorme acervo de imagens que valem cada uma por mil palavras e não gostaria que se perdessem por falta de divulgação.
Caso gostarem da idéia, favor se manifestarem através do blog ou e-mail.
Abraço  de um planejador financeiro sncero, que gostaria que nosso povo como um todo, tivesse uma vida menos atribulado e com mais alegria e felicidade!
Até a próxima publicação,
Louis Frankenberg- 18-10-2011
*Clique em cima do quadro para ampliar a imagem




segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Vencendo os enormes obstáculos existentes para tornar-se independente financeiramente

Louis Frankenberg,CFP®          29-08-2011

Acredito que possuo experiência suficiente para dar pelo menos alguns palpites e conselhos úteis aos  fieis leitores deste blog quando lhes digo que meu “CPF”  junto à Secretaria da Receita Federal inicia com os números 001...(o mundo das siglas pode confundir vocês, portanto explico que como profissional certificado em planejamento financeiro pessoal, pelo IBCPF (www.ibcpf.org.br)  tenho permissão para  anexar a sigla CFP® após meu nome, sigla essa muito parecida).
Aliás, tão importante quanto conhecer as características diferentes de cada tipo de sigla ou investimento é adotar algumas regras básicas para quem deseja tranquilamente alcançar o conforto e sucesso financeiro.
Para  enumerar os enormes obstáculos existentes para tornar-se independente financeiramente
(e manter-se permanentemente independente a partir daquele mágico momento da percepção de que chegamos lá em cima dessa montanha pelo resto da vida), eu precisaria escrever  mais outro livro apenas com a citação dos tópicos  envolvidos e,  certamente não é esta a minha pretensão.
No meu blog anterior a este descrevi meus  mais caros valores morais e éticos e igualmente mencionei  “que deveríamos ter fé em nossos semelhantes, mas jamais cegamente”.
Encontrei nestes anos todos de militância financeira muitas  pessoas que eu julgava terem os ingredientes  necessários  para tornarem-se vencedores,  é claro sob um aspecto meramente financeiro.
Por que então algumas delas  acabaram não sendo  vencedoras financeiras?
Não possuo resposta  única mas desconfio  que o assunto é por demais complexo para caber em poucas  linhas, pois envolve  inúmeros fatores econômicos, familiares, sociais, psicológicos, culturais, de formação educacional, de caráter  e tantos outros.
Conheci pessoas que tinham excelente conhecimento de cálculos matemáticos, mesmo assim não  conseguiram acumular patrimônio. Faltava  algo que eu não consegui descobrir e elas muito menos anular ou pelo menos controlar razoavelmente.  
Conheci pessoas que tinham aquele dom inato dos comerciantes e empreendedores, e   inúmeros outros ingredientes como por exemplo  lábia suficiente, envolvendo geralmente seus interlocutores com suas histórias mirabolantes e algumas vezes fantasiosas. Mas  mesmo assim não conseguiram acumular um razoável patrimônio e  principalmente mantê-lo.
Conheci pessoas  que herdaram verdadeiras fortunas de seus pais, mesmo assim conseguiram dilapidar  tudo  que estes antecedentes acumularam em pouquíssimos anos,  algumas delas passando a ter até dificuldades  na velhice. Inclusive acompanhei  as histórias de algumas das ganhadoras dos prêmios maiores  em jogos de azar e igualmente a triste epopéia de  alguns jogadores geniais de futebol...
Conheci pessoas com personalidade e caráter maravilhoso, sempre pensando no positivo dos outros e talvez por esta razão se esquecendo de si mesmas. Algumas delas até que tiveram vidas financeiras razoáveis, outras nem tanto.
Conheci  também pessoalmente indivíduos que após pouco tempo de convivência profissional, teria preferido não tê-los conhecido e, conseqüentemente, o mais rapidamente possível, afastando-me deles.
Alguns deles , entretanto tornaram-se milionários. De que maneira ? Sinceramente não tenho como lhes explicar.
Portanto acima citei alguns tipos diferentes de pessoas. Devem ter notado que não existe qualquer correlação  visível entre as mesmas mas algumas delas tiveram sucesso financeiro, outras não.
Será que o fator sorte de algumas teria tido influência fundamental no sucesso  ou a falta de sorte de outras? Apesar de considerar a palavra sorte fazendo parte integral do enigma do sucesso de algumas pessoas ou fracasso de outras, não  julgo  este fator  como imprescindível.
Acabei acreditando de que não existe nenhuma medida precisa ou matemática  ou  mesmo fórmula mágica que possa ser usada  para garantir sucesso financeiro à alguém, pois como  dizem “cada cabeça, uma sentença” ou seja nós seres humanos somos um por um diferentes uns dos outros, na aparência externa como igualmente dentro dessas nossas  cacholas difíceis de mudar e  ainda tão pouco entendidas pelos antropólogos e psicólogos.
Meditem um pouco  a respeito desses 6,5 bilhões de seres humanos existentes, cada  qual com Impressão Digital, Iris e DNA diferentes.
Pensem em seus pais, vovôs, esposas, filhos, tios e tias e  todos estes familiares com características diferentes entre si  para   também   concluírem de que não adianta querermos imitar outros seres humanos que admiramos. Acredito que um dos nossos maiores erros é não tentarmos  com mais afinco aprimorar nossos próprios melhores dons naturais e ainda  aqueles adquiridos com a aprendizagem pela vida afora.
Desejo agora humildemente  abordar alguns aspectos e diretrizes que a meu ver,  nestes anos todos deste meu observatório particular, terem tido efeito positivo na abordagem  de uma quantidade nada desprezível de pessoas na obtenção do   sucesso financeiro.
Reafirmo enfaticamente que talvez aumentem a probabilidade”  destes aspectos e diretrizes  atingirem seu objetivo na  conquista da independência financeira, não sendo absolutamente fórmulas ou regras  infalíveis e absolutas    para  se alcançar  este objetivo.
Os aspectos por mim abordados não passam de mera observação cuidadosa da vida financeira de pessoas de todos os níveis culturais, intelectuais e financeiras que nestes anos  todos giraram na minha órbita  familiar e profissional.
  • Verifiquei que muito mais pessoas conquistaram a independência financeira quando vagarosa e sistematicamente  construíram suas fortunas medianas ou maiores, tijolo sobre tijolo ou seja acumulando aos poucos  seu patrimônio e tranqüilidade financeira.
  • Conclui que aventureiros e pessoas pouco éticas  não conseguiram conservar seu patrimônio, passado  o período áureo de suas vidas, ou seja quando já deveriam estar usufruindo  do merecido resultado de terem feitos as coisas corretamente e com sabedoria.  
  • Pessoas que se assessoraram de profissionais honestos e desinteressados (e escutaram com atenção e não  amigos e conhecidos pouco técnicos e apenas armadas de  boas intenções),  tiveram maior probabilidade de acertarem com produtos financeiros e não financeiros.
  • Aquelas pessoas sempre ansiosas e inquietas e constantemente alterando a composição de seus investimentos, na maioria das vezes tomaram decisões erradas em momentos errados.
  • Sempre desconfiei de profissionais de todos os matizes que vomitavam prognósticos e vaticínios de resultados  miraculosas em alguma data futura, geralmente  acompanhados de valores  precisos que não se confirmavam posteriormente (quando o leite já tinha sido derramado).
  • O corolário do item anterior a esta é que em minha própria avaliação da quantidade de incógnitas  existentes em qualquer equação da vida econômica, financeira e social  do mundo é imensamente maior que a quantidade de fatores (dados) conhecidos ( e que sempre podem se modificar a qualquer momento).
      O mundo está cheio de exemplos passados e atuais que confirmam esta minha observação.
  • Como não sabemos onde e quando a próxima crise irá eclodir, a melhor forma de acumular   patrimônio ainda é através da diversificação, pois estudando-se os últimos 200 anos da economia mundial, verifica-se que já houve períodos altamente positivas para todos os tipos de negócios e investimentos.   
Termino esta minha crônica com um alerta ou conselho bastante útil para suas vidas;
não confiem cegamente em qualquer governo, pois os interesses  de quem está politicamente ocupando  posição de relevância, sempre o será apenas em relação aos interesses de si mesmo ou da ideologia ao qual está servindo naquele instante. Pense na quantidade de dirigentes que já tivemos aqui mesmo, endeusados em dado momento para posteriormente  serem  espezinhados  pelos erros cometidos... ( enquanto nos meros mortais sofremos as conseqüências!)
Lideranças governamentais jamais irão admitir que alguma medida econômica ou financeira, enquanto em vigor,  não é a mais   correta...
Antes de tomar qualquer decisão em relação a investimentos para o médio e o longo prazo, analise com cuidado o passo que dará e que possa afetar diretamente seu futuro.  
Pense sempre mais em si mesmo e nas pessoas  que  o cercam, pois você tem apenas  muito poucos anos para formar um razoável patrimônio e fontes de renda que lhe garantam qualidade de vida na aposentadoria.  Nunca faça algo somente porque outra pessoa  o fez  e por isso deve ser bom!
Um forte abraço e até a próxima coluna, que dessa vez vai demorar um pouco mais do que de costume. Tenha paciência que estarei voltando.    
Abraço,  Louis
     
     Louis Frankenberg,CFP®  29-08-2011
      


 



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Esqueço as turbulências financeiras do momento, preferindo falar um pouco sobre valores que me acompanham há tempos.

 
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Louis Frankenberg,CFP®  12-08-2011

Esta crônica foi um pouco inspirada na matéria recém lida na edição de 30 de Julho ultimo da revista “The Economist” mas também para falar da sorte que tive (terá mesmo sido?)  em ter vaticinado   uma semana antes, a ocorrência do débâcle nas bolsas e demais mercados financeiros brasileiros e internacionais.
Espero  não ter provocado esta crise que ainda não acabou, com a minha opinião! (risada)
A matéria do Economist me relembrou o meu próprio passado de jovem idealista, imaginando viver em um mundo justo, habitado por pessoas com princípios éticos ilibáveis e no qual jamais uns enganassem  aos outros. Infelizmente, muito cedo me convenci que estes meus nobres pensamentos eram  utopia.
Nos dias de hoje sou constantemente relembrado de que vivemos em um mundo extremamente materialista, no qual interesses mesquinhos predominam.    
A revista The Economist acabou de abordar um predicado que pessoalmente sempre considerei  relevante, o de “ter  mais fé  e confiança em nossos  semelhantes”. Mas  jamais cegamente!   
O assunto foi pesquisado por duas cientistas da Universidade da Califórnia, Santa Barbara.  
Elas  chegaram à conclusão  de que realmente compensa sermos honestos com as pessoas com as quais lidamos ou temos  alguma forma de relacionamento.
As pesquisas efetuadas por essas profissionais, sem que eu possua qualificação suficiente para explicar os aspectos técnicos e científicos abordados, retrocedem a centenas de anos, iniciando-se com nossos antepassados  que ainda  habitavam as cavernas...
Lidando há tantos anos com a minha própria clientela de finanças pessoais e aconselhamento, em relação a investimentos para a formação, manutenção e crescimento patrimonial, é óbvio que encontrei os mais variados  tipos de cabeças pensantes.
Desde os primórdios da minha vida profissional eu acreditava sinceramente e, continuo  mantendo esta mesma convicção até os dias de hoje, que ser autêntico e absolutamente honesto  com todos   no trato destas questões era  muito importante para mim mesmo e, é claro, mais ainda para a pessoa que tivesse que confiar em meus conselhos.   
Eu simplesmente não conseguia oferecer produtos ou serviços nos quais não acreditava e isso me causou alguns problemas e também dramas de consciencia enquanto ainda era funcionário de instituições  financeiras.
Talvez tenha sido essa a razão para um belo dia, quando já me sentia capacitado a seguir   carreira solo e, ardentemente desejar  ser independente para sempre e poder dizer livremente o que pensava a respeito de qualquer empresa, serviço ou produto.
Mas enquanto ainda era colunista da revista Exame  e Meu Dinheiro  da Editora Abril durante 6 anos, tinha que frear meus ímpetos de soltar a minha própria opinião livremente, mas presentemente    produzo o meu próprio blog e me expresso como quero!  Um “viva” à livre expressão da palavra em nosso país!
Ainda na Faculdade, enquanto me auto sustentava, durante o dia eu trabalhava como corretor de imóveis,  mas  já então estava convencido de que não desejava morrer sendo corretor de imóveis, apesar de ter ganho um bom dinheiro naquela função e ter aprendido as primeiras lições de relacionamento humano.
Após passar por várias etapas intermediárias, passei a vender fundos de investimento e, lembro muito bem que muitos dos meus colegas de empresa naquele tempo, somente estavam interessados no valor da comissão que iriam obter, não se importando com a qualidade do produto  que ofereciam e  tantos outros fatores essenciais,  que pessoalmente  eu considerava importantes. 
Eu lia muito e meu incipiente inglês  me  auxiliava bastante,  pois assinava  na época a revista “Time” que me nutria de cultura geral e financeira, quando ainda havia  pouca informação sobre finanças em geral e pessoal em nosso próprio país.    
Voltando à matéria publicada pelo The Economist, no qual  o editor e as pesquisadoras penetram profundamente na mente humana,  vejo confirmado quão importante  foi meu primitivo instinto de dar muito valor ao que as pessoas pensavam e diziam, apesar de naquela época não ter qualquer conhecimento de psicologia ou da enorme  complexidade  da mente humana.  
Meu primeiro mentor, um norte americano bastante culto, havia me ensinado que sempre deveria primeiramente estabelecer contato pessoal com  o  cliente  em potencial e jamais tentar empurrar um produto ou serviço  que desse apenas vantagens   para mim.    
Internet ou e-mail  é claro que não existiam, mas ele já me advertia que  telefone era o maior assassino de negócios em potencial. Eu sempre deveria tentar marcar uma 1ª  reunião com cliente em potencial, em local sossegado, onde não fosse interrompido  por telefonemas ou secretárias entrando e saindo.
Até hoje sigo este aconselhamento, pois acredito que o contato  pessoal, visual, intelectual e profissional,   traz  frutos  altamente positivos para  mim e o cliente. Você passa a conhecer muito bem o cliente e ele a você. Ampliei a minha técnica da obtenção de conhecimento profundo do cliente ao passar a convidar o casal, quando era  o caso, para  a primeira e mais importante entrevista a respeito  de entender melhor quais eram as metas financeiras dos mesmos e em que consistiam.
Meu  instinto   igualmente aconselhava que  a conquista de um cliente deveria ter como objetivo manter relações com o mesmo por toda vida e não apenas para um  único negócio.           
Novamente o estudo recém publicado no The Economist  reconfirma o acerto daquela  minha  primeira visão  de como dois seres humanos podem interagir e obter inúmeros benefícios um do outro.
Portanto uma importante lição a ser apreendida deve ser a de que sempre deve existir absoluta confiança entre ambos.
Os muitos anos passados para mim provaram que profissionalismo, ética e honestidade  de propósitos  foram amplamente  compensados,  pois como  mero iniciante e  posteriormente como gerente geral de grandes instituições financeiras, verifiquei como outros  profissionais que não compartilhavam daquela  minha filosofia iam ficando pelo caminho.
Eles nunca conseguiram entender que a maioria dos clientes tem uma espécie de sexto sentido e percebem a diferença existente quando  estão sendo conduzidos para adquirir determinado produto ou raciocínio ou quando, honestamente o interlocutor faz questão de querer entender o que eles mesmos desejam alcançar em suas vidas.
A conquista da confiança e fidelização para mim sempre significaram  desejar o melhor para o cliente, mesmo a custo de não lhe vender nada e, eventualmente, mandá-lo para o concorrente.
Tenho muito orgulho em poder afirmar que inúmeros clientes ainda de dezenas de anos atrás, acabaram por  se tornarem  meus  melhores amigos até os dias de hoje.
Por mais que eu entendo algumas das razões dos banqueiros de hoje que não desejam que haja vínculos mais fortes entre seus gerentes de relacionamento com a clientela (e conseqüentemente os transferem seguidamente de um lugar para outro), ainda acredito que somente   contatos pessoais  honestos e desinteressados  trazem  consigo vínculos  importantes  que fazem toda a diferença.
Nestes anos todos, constatei que o cliente mais abre seu coração e igualmente sua mente em relação as suas ansiedades e objetivos,  quando sente que o planejador financeiro (ou gerente de relacionamento) com o qual troca  idéias  e/ou possui  traços  de personalidade  coincidentes, é   autenticamente desinteressado.
Hoje em dia, através das múltiplas formas pelas quais é possível obter informações a respeito de aplicações e investimentos, muitas vezes o fator decisório  deixa de ser racional e lógica, pois o cliente  toma sua própria decisão através da leitura  de algum jornal, de um noticiário na TV ou  mesmo quando escuta no clube os argumentos de um seu amigo.

Sinto muita pena daqueles profissionais financeiros que, premidos pelas contingências dos altos custos envolvidos nas operações das entidades financeiras nos quais trabalham e outros fatores, devem  cumprir metas de produção e sofrem por essa mesma razão enorme pressão, forçando conseqüentemente clientes a adquirir produtos ou serviços às vezes inadequados.
Penso que a melhor maneira de tratar um cliente por parte de um intermediário financeiro ainda é de pensar nele (e em sua família), como se  ainda haveria contato daqui a 30 anos, quando ambos, eventualmente,  estivessem  aposentados e pudessem  se encontrar e falar tranquilamente do passado com nostalgia, alegria, e sem sentimentos  negativos.    
Abraço e  me desculpem pelo teor auto biográfico desta crônica! Eu precisava externar isso.
Louis

Louis Frankenberg,CFP®  12-08-2011