sábado, 2 de julho de 2011

Ser precavido e cauteloso nunca fizeram mal a ninguém. O oposto sim!

Louis Frankenberg,CFP®

Na presente crônica tento me antecipar  às futuras crises em nosso país que, sinceramente espero, nunca mais  possam acontecer por aqui.
Entretanto, olhando o Brasil pelo espelho retrovisor, infelizmente tenho o dever de advertir  aos mais “chauvinistas”, aqueles preferindo desconhecer nosso passado  recente, de que  certamente novas crises  virão.   
Espero que você caro leitor me perdoa por assustá-lo com o que vou escrever a seguir e que, talvez não seja bem aquilo que você gostaria que eu lhe dissesse  por intermédio do meu blog.
Não posso, entretanto, deixar de revelar em voz alta, o que passei a  sentir desde a semana passada. 
Se você não agüentar realismo e prefere textos  otimistas  e a respeito de ufanismo, pare de ler esta crônica imediatamente e escolha para ler um livro com contos de fadas.
De qualquer maneira, na semana passada meu sub consciente subitamente alertou  meu consciente e, pensamentos menos positivos acorreram na minha mente. Tenho por hábito respeitar meu próprio instinto e por isso passo a pensar em voz alta. 
Em determinado dia da semana passada estava eu a ler com toda a atenção os principais jornais nacionais e também a minha   revista preferida, “The Economist”. A noite  costumo também  sintonizar noticiários  internacionais pela TV e Internet, BBC, Fox News e CNN quando subitamente na  minha mente ocorreu um  ensurdecedor click e caiu a ficha. Eis portanto, o porque desta crônica, fruto do tal de click.
Caro amigo leitor, este é o momento apropriado de dar um  chega pra lá e mudar para outro site caso você não gosta de alertas.
Vi e li alguns dos assustadores detalhes daquilo que atualmente anda ocorrendo  na Grécia. 
O país está super endividado, interna e externamente. Parece que tanto  seu Governo como seus  respeitáveis cidadãos gastaram demais  nestes últimos anos ou seja viveram uma vida irreal, além das posses e agora  não sabem como se livrar do enorme endividamento que construíram, precisando de fabulosos empréstimos dos demais países da zona do Euro para sobreviver.
Seres humanos preferem sempre melhorar suas condições de vida, nunca voltar  a um passado de pobreza e dificuldades, daí as revoltas resultantes na Grécia.
Em pano de fundo, mas nem por isso menos importante, e momentaneamente ofuscado pela Grécia, sabemos que aquele país  está em boa companhia. Problemas bem parecidos ocorrem também em Portugal, Irlanda, Islândia e também na Espanha e, em menor escala na própria Itália.
Problemas menos citados, mas igualmente sujeitos a eventuais chuvas e trovoadas estão, além dos países citados,  ocorrendo em países da  ex Europa Oriental.
Estive em Portugal e na Espanha nos últimos 12 meses. Em Madrid, vindo do aeroporto, passei por bairros inteiros de prédios recém construídos, porém completamente abandonados, sem potenciais compradores   ou inquilinos pagando algum aluguel.
Está faltando um mínimo de poder aquisitivo dos potenciais candidatos, me informou um motorista de taxi.
Em Portugal  os imóveis diminuíram  entre 15% e 20%  de seu valor  original e um nosso  familiar  que lá mora, teve a opção de ser demitido  ou aceitar uma  diminuição de 10% do seu salário...
Em nosso próprio país assisto a um vertiginoso aumento do crédito concedido para todas as modalidades de financiamento, trombeteado orgulhosamente  pelo Governo, mas sem que os respectivos tomadores dos empréstimos etc.   recebam suficientes informações sobre os enormes riscos que correm  ao ultrapassarem   os limites razoáveis de seus próprios ganhos. 
As altas direções das gigantescas construtoras nacionais e internacionais que brotaram em nosso solo   qual cogumelos nestes últimos anos, esfregam avidamente e felizes suas mãos e aproveitaram a ocasião para aumentar em talvez mais de  100% o valor dos imóveis  que constroem.
O deus lucro a qualquer preço, anda dominando muitas mentes... O tal do mercado que somos todos nos, acha tudo isso maravilhoso e, por enquanto, está eufórico e feliz. Por enquanto! 
Admito que sou um estraga prazeres e quero neste  meu modesto blog relembrar a todos o ditado de que “quando alguns ganham, outros perdem  e  de que não existe refeição grátis”.
Consultando  algumas das pesquisas que coleciono, verifico que nosso povo como um todo  não ficou 100% mais rico nos últimos tempos. Será que estou errado?
A atualmente sempre citada e glorificada classe sócio-econômica “C”, cantada em prosa e verso  por muitos economistas e que,  segundo eles, acaba de sair da pobreza (isto é classe “D”), apenas adquiriu uma frágil e fina película de verniz de poder aquisitivo mas, por outro lado, continua não possuindo nenhum dinheirinho na poupança para enfrentar desemprego e outros  imprevistos.  
Lamento informá-lo, caro leitor que é tudo embromação, pois  pagamos os mais altos tributos visíveis e  ocultos do mundo e  o índice  inflacionário continua sendo  bem mais elevada que a tal da meta de 4,5% ao ano, almejado pelo Banco Central.  
Recordo bem demais o que ocorreu recentemente nos Estados Unidos  com os malfadados  imóveis  super valorizados, financiados por duplas hipotecas e que agora  podem ser  adquiridos  pela metade do preço... será que isso não seria possível de ocorrer aqui em nosso país onde os ganhos per  capita da população como um todo é muito menor?
Ingenuamente pergunto se nossos bancos privados oferecem crédito na mesma escala quantitativa  e falta de análise  mais minuciosa dos financiados, como   atualmente estão atuando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, que operam com dinheiro que não lhes pertence mas isto sim, é fruto de arrecadação de impostos? Com que dinheiro vão construir nossas estradas, pontes, portos, estádios para a copa do mundo etc?
Relembro vivamente igualmente daquilo que ocorreu há alguns anos na Argentina (onde por pouco tempo  morei  e trabalhei e por isso conheço razoavelmente bem aquele país).
Nos anos áureos os argentinos vinham para cá e tomavam conta de nossos hotéis e praias, pois a moeda deles estava super valorizado e a nossa própria  moeda minguadinha, precisando de fortificante.
Então subitamente lá ocorreu o maior dos desastres e a classe média argentina virou classe “C” e até hoje ainda não se recuperaram.  Isto não pode se repetir por aqui?
Comparo aquela suprema  desgraça dos argentinos devido a taxa cambial valorizada de alguns anos passados  com a nossa atual taxa de câmbio. Segundo alguns economistas, ela se encontra 45% acima da realidade. Os nossos  exportadores de produtos industrializados, com toda a razão,  se queixam amargamente, pois não conseguem concorrer com a China  e tantos outros países.
Os industriais e comerciantes, também não conseguem produzir e concorrer (sempre os chineses) devido aos elevados tributos embutidos na produção, além da  mirabolante  burocracia existente, pois os preços externos que obtém  por suas mercadorias, não pagam o custo de produção (novamente devido ao câmbio desfavorável). 
Não está longe o dia em que fecharão suas unidades fabris e comerciais e então os chineses dominarão por completo nosso mercado interno de aproximadamente 200 milhões de brasileiros. É muito provável que eles também serão os donos da maioria de nossas unidades fabris! Espero estar equivocado.
Mas por outro lado as classes sócio econômicas A, B e C estão muito felizes (e igualmente os agentes de turismo e companhias de aviação) pois hordas de brasileiros estão invadindo, como nunca antes, outras terras, principalmente os Estados Unidos com um dólar artificialmente barato, gastando bilhões lá fora em eletrônicos, roupas, telefones celulares de ultima geração, além dos habituais passeios. 
Será que esta farra de queimação de dólares e euros vai durar para sempre? ( é bom não esquecer o que citei mais acima  a respeito do que aconteceu na Argentina.)
Em compensação os turistas estrangeiros vindos da Europa, Ásia e America do Norte não querem mais nos visitar, pois internamente somos atualmente demasiadamente caros em relação a terras tão lindas quanto as nossas que eles podem visitar.
Mudando de enfoque e na condição de planejador financeiro, observo inquieto os novos ”IPOs”  sendo anunciados em letras garrafais em jornais e outras mídias, como se fossem pipocas explodindo a torto e a direita. Inúmeras empresas (algumas de fato qualificadas, outras provavelmente apenas atrás de lucros fáceis a custa de investidores ingênuas e inexperientes e ainda os fundos de pensão que na atualidade estão em fase de acumulação de patrimônio, mas pouco se preocupam com  os  aposentados aos quais precisam futuramente dar  uma vida decente).  
Poderosos grupos financeiros como bancos e corretoras, procuram  jogar o preço dessas novas ações  durante o lançamento no  patamar mais elevado possível, geralmente  acima de valores  racionais  e fico  imaginando quantas delas  manterão suas cotações no mesmo nível ou acima da oferta inicial, quando a realidade da lei da oferta e da demanda  passa a ocorrer na livre negociação posterior.
Lembro aos afoitos jovens que desconhecem as crises que certamente vão acontecer  em algum momento futuro e incerto. Estes jovens e outros não tão jovens poderão perder boa parte do seu capital. Portanto escolham empresas solidas, bem estruturadas, tradicionais, transparentes, honestas e conhecidas, aquelas que já demonstraram  serem confiáveis!
Posso até adivinhar  algumas das misteriosos conseqüências  do surgimento de algumas das novatas em  nossa BM&FBovespa;
empreendedores e empresários ricos, intermediários financeiros tendo obtido um bom quinhão do lucro na colocação das ações e milhares de acionistas  enganados e arrependidos,  lambendo feridas e, quem sabe, jurando nunca mais confiarem no mercado acionário.  Investidor, saiba que não é de hoje que alguns ganharam muito nas Bolsas do mundo inteiro e muitos também perderam até as calças!
Da mesma maneira vejo alguns dos Fundos Imobiliários  que ultimamente  estão tão em voga.  
Mesmo sem ler os detalhes dos enfadonhos prospectos, vislumbro  aspectos que não me inspiram confiança e não tenho a mínima vontade em possuir suas cotas, tal  a provável concentração   dos recursos  que vejo canalizados para determinado segmento muito restrito. Vejo sim, interesses mesquinhos sendo perseguidos por seus controladores. Recortei a oferta de um desses fundos do jornal e sem querer revelar o nome, o  acompanharei  por algum tempo. Muito   me admiro que a própria CVM deu permissão para este fundo investir os recursos da maneira como pretendem fazê-lo.
Segundo o Banco Central o crescimento da totalidade do “crédito  concedido”, divulgado recentemente, este ampliou-se em 18% nos últimos 12 meses.  Qual será o percentual desse novo contingente de   devedores  que analisaram cuidadosamente se terão capacidade de liquidar seus empréstimos e hipotecas?
Quanto aos administradores das diversas siglas existentes de  cartões de crédito, estes cavalheiros orgulhosamente anunciam  que a quantidade de plásticos em circulação é cada mês maior.  Pela pregação dos mesmos parece até  que estes novos endividados são  cada vez mais prósperos. Raramente encontro informações fidedignas  que informam a quantidade de pessoas  atrasadas em suas obrigações ou  até mesmo  inadimplentes.  
Numa das raras ocasiões encontro escondido em uma página central do Estado de S.Paulo do dia 22/6 a informação de que em Curitiba 85% das pessoas estão endividadas.
Valor média da dívida de cada devedor; R$1.608,00 significando  este montante um elevado 27% de comprometimento da renda individual. 
Em Porto Alegre o endividamento médio é de R$ 2.145,00  correspondendo a 30% da renda de cada devedor.
Em Natal  a média de endividamento é de R$ 1.531,00 correspondendo a 39% do orçamento doméstico de cada uma dessas pessoas.
A Anefac, Associação na qual sou um dos diretores, em Maio deste ano divulgou as seguintes taxas de juros médios anuais praticados no país; juros no comércio; 95,15% - no cartão de crédito; 238,30% - no cheque especial; 155,20% - através do empréstimo bancário;74,52% e através do empréstimo em financeira; 196,50% . Conhecendo-se os percentuais de alguns desses itens citados acima, não consigo  acreditar que qualquer pessoa  inteligente queira queimar  27% - 30% ou até 39% dos seus ganhos   e voluntariamente ingressar no rol dos cada vez mais endividados.   
Caros leitores, a aquisição de uma moradia ou de um veiculo ou mesmo de um eletro doméstico a prazo deve ser objeto de cuidadosa análise e avaliação, sob tantos  aspectos diferentes... principalmente em função do percentual da taxa de juros anual a ser paga e do percentual do orçamento doméstico que   será comprometido.
Espero sinceramente que aqui em nosso  próprio país não vamos  enfrentar  crise  futura igual  aos que   ocorreram no  passado e que hoje também estão acontecendo nos países da Europa. 
O Brasil está inserido no mundo e mesmo que estejamos no momento atual atravessando um período melhor, não estamos de maneira alguma isentos de crises importados lá de fora ou provocados por nos mesmos.
Em 01/06/2011 publiquei neste blog a crônica denominada “A maior diferença entre nações endividadas e famílias endividadas”. A atual crônica pode ser considerada  uma continuação daquela. Procure-a caso não a tenha lida. Finalizo novamente com o título;
Ser precavido e cauteloso nunca fizeram mal a ninguém. O oposto sim!
E um forte abraço,

Louis Frankenberg,CFP®  - 03.07.2011



segunda-feira, 20 de junho de 2011

...E o Diretor foi demitido

Louis Frankenberg,CFP®

Matéria  original escrito em Setembro de 1994, porém nunca antes publicado.
Em minha própria opinião, muito pouco mudou entre os anos a partir de 1.994 e 2.011.             
Abaixo um relato acompanhado de minha  honesta opinião sobre as relações controvertidas e complexas entre  empresas e funcionários em geral. Esta matéria, porém,  está focada  em  especial   para executivos sabendo-se que vale igualmente aos demais níveis hierárquicos em uma empresa.

A  iniciativa de escrevê-la partiu da minha tentativa  em ajudar  aos primeiros   a mais realisticamente encontrar uma acomodação ou seja  um  modus vivendi  compatível com  as profundas alterações que atualmente estão tendo lugar em nosso  país e no mundo inteiro e a pensarem mais realisticamente a respeito de seus próprios interesses.
Nesses últimos decênios, muitíssimos livros foram escritos e publicados e centenas de seminários e work shops ministrados aos dedicados e fiéis funcionários em geral e executivos de empresas, a respeito das vantagens de aprimorar-se cada vez mais e melhor em suas respectivas funções profissionais, para satisfazer às exigências   de qualidade, eficiência e  produtividade das exigentes empresas nacionais e multinacionais.

O funcionário e executivo obediente e submisso, que tenha assimilado estes ensinamentos e, colocado em prática todos estes conhecimentos em prol da empresa ao qual esteja servindo, pode considerar-se   robôtizado, digno de  qualquer linha de produção industrial, mas deveria saber que também vale para a acumulação de conhecimento para outras empresas para os quais pode vir a trabalhar.  

Até que ponto é verdadeira a reciprocidade na devolução desta absoluta  fidelidade e dedicação por  parte da empresa a este funcionário ou executivo? E por que estas minhas indagações  com conotações tão duras e até mesma sarcásticas?    

Porque elas estão sintonizadas com as profundas transformações havidas no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Muitas empresas, sem o mínimo de remorso  ceifaram milhares de cabeças de funcionários subalternos e executivos continuamente.

Inúmeras dessas empresas eliminaram em até 60% seus níveis hierárquicos. Downsizing  era o grito de guerra há alguns anos, corte que teria feito inveja até ao célebre Robespierre da Revolução Francesa. Milhares de funcionários e executivos perderam seus empregos, de um dia para o outro! E  todos deveriam saber que novas crises com novas demissões certamente virão no futuro.

A busca frenética de uma nova empresa, onde novamente deveriam provar suas qualidades e tentar conquistar um lugar ao sol, não era tarefa das mais fáceis, pois o mercado encolheu como um todo e apenas uma parcela bem mais minguada teve a sorte de encontrar o aconchego de uma nova colocação a contento.

(Atualmente estamos num hiato, no qual a empregabilidade está em alta, mas que pode ser revertida como já aconteceu tantas vezes no passado. A essência da minha tese, por isso,  continua  muito válida).    

Pode-se imaginar o choque radical infligido àqueles dedicados e ingênuos executivos, acostumados eles próprios no passado em suas empresas, a tomarem as decisões frias e calculistas de quem seria o próximo demitido.

Com a experiência profissional acumulada devida a atuação em diversas posições de liderança, aqueles mesmos executivos e demais funcionários subalternos deveriam ter aprendido a grande lição de vida de  que existe muita semelhança entre o planejamento financeiro de uma empresa e o  planejamento de suas vidas pessoais. Destaca-se de que jamais deveriam ter permitido serem  usados como reféns em suas atuais empresas, sem terem outra  alternativa “B”na algibeira.

Nas empresas onde atuavam sempre teriam tido o cuidado para que não faltasse o indispensável “capital de giro” e nos respectivos balanços   constariam   reservas de contingência suficientes, enfim, teriam sempre   boas reservas  financeiras para poder enfrentar imprevistos, sejam quais fossem.

Por que então este contingente de funcionários subalternos e executivos não pensaram em iniciar um programa sério na criação de suas próprias reservas para  os imprevistos da vida e para a  aposentadoria além do FGTS?

A resposta a esta questão reside, infelizmente, na visão de prazo curto que a maioria ainda cultiva.  

Por incrível que pareça tanto executivos como  seus subalternos ainda conservam a arcaica imagem do “Estado” salvador e protetor. É tão mais cômodo acreditar que o atual emprego é permanente, que a pensão do INSS será novamente  de 20 salários mínimos como já foi em um passado distante, e que algum futuro empregador irá ajudá-los com algum  plano complementar de aposentadoria, que somado  ao do INSS lhes garanta valor igual ao último salário da ativa integralmente. Será que alguns destes funcionários e executivos  imaginam e acreditam que no ano 2011 ainda existe Papai Noel?

E enquanto aqueles em início de carreira,  chefes e gerentes, ainda são jovens, vigorosos e saudáveis,   e portanto têm a oportunidade de guardar mensalmente alguma  pequena parcela de seu salário, ao contrário, gastam-no integralmente em  coisas prescindíveis e,  muitas vezes também  totalmente desnecessárias!

A  experiência  que acumulei como Planejador Financeiro me ensinou que INSS e Plano Complementar de Aposentadoria não são suficientes para garantir um porvir futuro mais tranqüilo.

Eis  um resumo de história publicada na revista “Veja” em 9.12.92, (nada mudou desde então, pois leio em revistas e jornais que o mesmo está acontecendo agora mesmo no ano de 2011 nos Estados Unidos, repito Estados Unidos!)  o que exemplifica  a mínima margem de manobra que a maioria dos executivos tem e que não lhes  permite cometer qualquer erro, sem correr o risco  de incorrer  lamentos futuros.

 “A.M.J., 36 anos, administrador de empresas, pós graduado, 28 cursos de especialização, 17 anos de experiência profissional. Recentemente vendeu o Veraneio 89, o Parati 90 e o seu telefone. Mudou-se para a casa do pai. Transferiu os três filhos da escola particular para outra pública.Agora possui um Chevette 83 e ganha o equivalente a 600 dólares mensais, negociando automóveis usados.”

A  matéria original de 1994 é bem mais longa, mas hoje fico por aqui. Abraço, Louis 
Louis Frankenberg,CFP®

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Amigo profissional e amigo para sempre


Max Gehringer é um profissional conhecido de muitos, tem  inclusive um programa na Rádio C.B.N.
Ele também escreveu o prefácio do meu livro Sucesso e Independência, lançado pela Editora Elsevier  no final do ano 2.007.
Max conseguiu resumir perfeitamente as diferenças existentes entre ter amigos profissionais e amigos para sempre. Abaixo transcrevo dentro do meu Blog, na seção “Sabedoria de vida”  o que considero como sendo  uma pérola. Também repito a crônica do Max, para  que os  jovens  possam refletir profundamente a respeito do seguinte; porque  eles (e elas também) imaginam que “Networking” irá lhes dar o tão sonhado destaque profissional, social e financeiro?
DEFINIÇÃO DE NETWORKING
Max Gehringer    
Existem cinco estágios em uma carreira;
O primeiro estágio é aquele em que um funcionário precisa usar crachá porque quase ninguém na empresa sabe o nome dele.
No segundo estágio, o funcionário começa a ficar conhecido dentro da empresa e seu sobrenome passa a ser o nome do departamento em que trabalha... Por exemplo, "José" de contas a pagar.
No terceiro estágio, o funcionário passa a ser conhecido fora da empresa e o nome da empresa se transforma em sobrenome, José da Usina tal. 
No quarto estágio, é acrescentado um título hierárquico ao nome dele: José, Gerente da Usina tal.
Finalmente, no quinto estágio, vem a distinção definitiva. Pessoas que mal conhecem o José passam a se referir a ele como 'o meu amigo José, Gerente da usina tal'. Esse é o momento em que uma pessoa se torna, mesmo contra sua vontade, em ‘amigo profissional'.
Existem algumas diferenças entre um amigo que é amigo e um amigo profissional: Amigos que são amigos trocam sentimentos. Amigos profissionais trocam cartões de visita. Uma amizade dura para sempre. Uma amizade profissional é uma relação de curto prazo e dura apenas enquanto um estiver sendo útil ao outro. Amigos de verdade perguntam se podem ajudar. Amigos profissionais solicitam favores. Amigos de verdade estão no coração.
Amigos profissionais estão em uma planilha. É bom ter uma penca de amigos profissionais. É isso que, hoje, chamamos networking, um círculo de relacionamentos puramente profissional. Mas é bom não confundir uma coisa com a outra. Amigos profissionais são necessários. Amigos de verdade, indispensáveis. Imagine você um dia descobrir que tinha bem mais amigos do seu cargo do que da sua pessoa! Algum dia (e esse dia chega rápido), os únicos amigos com quem poderemos contar serão aqueles poucos que fizemos quando amizade era coisa de amadores. Por isso preservem as amizades verdadeiras porque os amigos da tua posição desaparecerão, os amigos da sua pessoa permanecerão do teu lado. "No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é, e outras que vão te odiar pelo mesmo motivo. 
Acostume-se... " 
Max Gehringer

Louis Frankenberg,CFP®   15-6-2011



quarta-feira, 1 de junho de 2011

A maior diferença entre Nações endividadas e Famílias endividadas

Louis Frankenberg,CFP®

Nações endividadas
Até os dias atuais continua repercutindo a crise financeira que afetou  profundamente até as mais  ricas  nações do globo. O abalo ocorreu há  aproximadamente  três  anos  e nenhum economista até hoje se arrisca a dizer em voz alta o que ainda possa ocorrer...
É conclusão quase unânime que os desequilíbrios existentes ainda não foram eliminados. Prova maior  encontra-se em países como Grécia, Irlanda e Portugal que,  presentemente lutam para pagar seus compromissos financeiros e endividamentos públicos e privados que, gradativamente foram sendo acumulados nestes últimos anos.       
O período pós 2ª guerra mundial, com certeza produziu sociedades e populações ricas, altamente produtivas e eficientes, porém  igualmente  desperdiçadoras e extremamente consumistas.
Em minha modesta opinião, mesmo Governos e Bancos Centrais de países ditos desenvolvidos  não têm   coragem política suficiente para  adotar políticas que evitem  que  suas moedas  aos poucos percam o valor aquisitivo  ou então que suas reservas    financeiras  não diminuam perigosamente.
Encontrar o equilíbrio estável em  época como a atual na qual empresas tradicionalmente sólidas repentinamente passam a se desequilibrar financeiramente e  ainda outras novas  que se destacam  em razão das  avançadas tecnologias,  são apenas alguns dos efeitos que mudam  situações econômica financeiras  de diversas nações rapidamente.
Na União Européia, o Euro, há mais de um decênio a moeda comum  de quase todo o continente, até arrasta consigo os países mais conservadores como por exemplo Alemanha e Holanda, que tem  governanças mais austeras, auto controlando-se e não permitindo que nem o próprio Estado nem suas populações ultrapassem certos limites de extravagância. 
Imensas diferenças culturais se fazem  sentir quando se compara alguns desses países da zona do Euro entre si, uns vivendo mais comedidos, outros mais desperdiçadoras e menos ortodoxos, analisados sob um ponto de vista apenas financeiro. 
O custo exigido para corrigir essas distorções orçamentárias costuma sempre ser muito alto e  os diversos segmentos da população mais duramente atingida pelas tentativas de introdução de medidas de austeridade, normalmente  não quer de nenhuma maneira saber de diminuir privilégios previamente  conquistados.
As conseqüências são greves, manifestações de rua, desemprego, diminuição de salário,  exigências  por parte de governos de aumento da idade da aposentadoria e outras medidas de austeridade, como neste momento estão acontecendo na França, Grécia e Portugal.
Vocês se lembram da fábula de Aesopo da Cigarra e da Formiga? Pois é perfeitamente possível comparar Nações mais austeras e controladores  com outras menos convencionais e  mais liberais de acordo com aquela fábula.
Quando, entretanto, uma Nação perde o rumo financeiro e se encontra a beira do abismo, geralmente existe um Fundo Monetário Internacional ou um Banco Mundial através da qual é obtida  alguma forma de acordo para  salvar a ovelha  negra  perdida.
Reuniões de Chefes de Estado e Ministros das Finanças são urgentemente organizadas e empréstimos são rapidamente concedidos a taxas de juros privilegiadas e prazos  bastante convenientes.
Pronto, a ovelha perdida é salva dos lobos ( mas não necessariamente de seus maus hábitos). 
Os elevados custos desta operação de salvamento é dividido entre todas as  outras Nações que,  indiretamente teriam bem maior prejuízo, caso a ovelha desobediente não fosse recuperada...
Convenientemente chamamos a este tipo de operação de “Supremos Interesses de Estado”.
Famílias endividadas
Mas onde nesta história entra  então o indivíduo ou mesmo uma  família inteira? 
Ora, a resposta é muito simples e geralmente  sou eu transformado momentaneamente    em médico financeiro da família que tem dado os avisos prévios do eminente perigo enfrentado pelas pessoas, quando estes se  endividam demasiadamente e  também   sou eu  que acabo muitas vezes propondo  soluções quando o caldo já entornou.
Desejo comparar o indivíduo ou então uma família inteira às Nações, pois  estes últimos também gradativamente se endividam além de suas possibilidades  e, às vezes, em  níveis até mais angustiantes,  quando então  podem chegar até a inadimplência ou completa insolvência.  
Querem saber quais são as principais causas? Posso resumir algumas delas;     
·        Crédito concedido com demasiada liberalidade por bancos, administradoras de cartões, grupos imobiliários, concessionários de automóveis, comerciantes etc. 
·        Vontade por parte de uma pessoa em possuir todos os objetos do desejo em pouco tempo ou de uma só vez.
·        Falta de controle eficiente de uma pessoa ou família sobre os limites de suas receitas e o próprio orçamento doméstico.
·        Inexistência de  uma razoável reserva financeira acumulada para os dias de chuva e  as intempéries, isto é  os tais de imprevistos que a todos acontecem.
·        Filhos a quem nada se nega e que são demasiadamente mimados ( tornando-se igualmente excelentes consumistas) e que por esta mesma razão  jamais vão estar preparados para enfrentar situações adversas em suas vidas.
·        Ocorrências como doenças, perda de emprego, acidentes  etc.
 
Caros amigos, acabamos de chegar na  principal diferença existente entre Nações e Indivíduos ou Famílias. Enquanto as primeiras serão socorridas rapidamente, nós, míseros plebeus sem importância e descartáveis, geralmente vamos ser jogados aos leões ou passar por períodos muito ruins, pois provavelmente  nenhuma fada madrinha irá surgir  com interesse  suficiente em  nos ajudar a sair da arapuca em que  nós mesmos nos metemos.
Admita! Você em uma dessas situações  estará  completamente sozinho(a) para resolver seu doloroso dilema  de como se salvar da catástrofe.
E  caso você  não acredita neste humilde planejador financeiro, dê uma espiada nos jornais,  cartórios de protesto e órgãos de defesa do consumidor que contam tristes histórias acontecidas....
Lamentavelmente, o Brasil dos dias atuais foi transformado em um imenso caldeirão transbordando de controvertidos  e desleais interesses de todas as matizes  e formatos tais como; 
·        O Governo (Município, Estado e Federação) esfomeado e ganancioso desejando arrecadar cada mês mais tributos acima dos atuais 37% do PIB e oferecendo em troca cada vez menos segurança, saúde e educação aos seus cidadãos.
·        O comércio também que só pensa em faturar  cada vez mais para ter capacidade de  enfrentar a imensa, incontrolável e cada vez maior burocracia administrativa existente e  ainda  ter de pagar as montanhas de tributos  que também lhe são impostos. ( ver  no meu blog a matéria “O imposto que nos é imposto” de 01/07/2010)
·        As vorazes administradoras de cartões de crédito e bancos que gostariam que você   usasse    pelo menos uma dúzia desses perigosos plásticos oferecidos em todas as cores do arco íris e cujos dirigentes rezam para que você  não salde suas aquisições dentro do prazo de vencimento de 30 dias, mas sim pague os elevados juros. 
·        Os bancos e seus gerentes de relacionamento  que  gostariam imensamente que você não usasse apenas sua conta corrente para pagar as despesas, mas investisse seu salário inteirinho  para adquirir  seus sofisticados produtos financeiros e permanecesse com os mesmos por longos períodos.
·        Sua namorada(o), companheira(o) ou  mulher/marido  que o tempo todo tenta lhe convencer para  passarem as próximas férias em algum lugar paradisíaco  e que certamente irá lhe custar  os olhos da cara e  mais outro endividamento bastante elevado.
·        O nosso eterno INSS, Instituto Nacional de Seguro Social,  credor de todo trabalhador ativo no país adoraria  que  fosse ampliado  obrigatoriamente a idade em  que em que precisa lhe devolver o que você   pagou durante a vida toda. Você ao contrário, gostaria de se aposentar o mais cedo possível, sonho que cada vez se torna mais distante.
·        Seus filhos insistentes e persistentes  para que você lhes desse todos os joguinhos eletrônicos existentes e ainda aqueles a serem lançados, fora celulares e outros brinquedinhos eletrônicos.
·        O enorme interesse das montadoras e vendedores  que vendem esses cobiçados e luxuosos carros, com todos os penduricalhos possíveis e que fazem um marketing agressivo  para que você adquira esses monstrinhos devoradores de grande parcela de seu salário.
E ao finalizar de enunciar todos estes empecilhos para que você  possa ser mais feliz, (será que vai se tornar mesmo?) é  óbvio de que você seja um candidato ideal  para passar dos limites de seu orçamento e tornar-se mais um dos milhares  (ou já serão milhões) de inadimplentes deste nosso imenso país.
Mas, você se esqueceu de que ninguém, ninguém mesmo vai  lhe tirar da sinuca em que se meteu,  quando é confrontado  com todas  essas  tentações que  acabei de apontar.
Imagino que você não tem nenhum FMI ou Banco Mundial atrás de si e que possa lhe salvar.
Amigão e amigona, convençam-se de que vocês estão sozinhos(as) no mundo!
O melhor que podem fazer é agora mesmo dar-se conta de que são apenas   micro organismos, sem qualquer interesse  maior para os poderosos que dominam o mundo.
Aprendam, portanto a  não querer tudo ao mesmo tempo. Vão devagar e com cuidado que vocês chegam lá com mais segurança e acabando por serem mais felizes.
Palavra de alguém que sabe do que está falando.
Abraço,
Louis Frankenberg  - S. Paulo 01-06-2011
 


   

domingo, 22 de maio de 2011

Algumas considerações a respeito de adquirir imóvel para moradia ou fundo de investimento imobiliário e ainda, divagações que me ocorrem quando interpreto a minha maneira as manchetes de jornais e noticiários.


Acredito que é hora de colocar novamente algumas pitadas de realidade de perspectiva quando a segunda pessoa atualmente mais poderosa do país (sim estou falando do senhor Antonio Palloci em pessoa) está novamente (e não é a 1ª vez) nas manchetes dos jornais  desta semana. Seguindo em ordem;
Item I do título
Enquanto as gerações passadas tinham pouquíssimas opções e investiam em terreno, casa ou apartamento ou então em letras da câmbio e certificados de depósito bancário, as mais novas tem inúmeras  outras opções que, de alguma maneira, tem  maior ou menor correlação com  investimentos  imobiliários.  
Desnecessário repetir o que anteriormente descrevi em um dos meus livros de que imóvel próprio, no qual a gente irá passar inúmeros dias, meses ou anos de nossas vidas, é para a maioria de nós qual   templo, quase santuário. 
O imóvel, nome mais adequado para aqueles que lhe dêem grande importância seria “lar”,  deveria, a meu ver, obrigatoriamente fazer parte dos  objetivos  primordiais de nossas conquistas de investimentos não monetários.
Enumerando resumidamente alguns dos seus predicados, podemos afirmar que o imóvel normalmente acompanha inversamente a desvalorização da moeda e pode portanto ser considerado como sendo uma reserva  importantíssima de capital, mesmo quando a moeda local perde parte importante do seu valor aquisitivo.
Subjetivamente falando, o imóvel é um  importante refúgio para  quando precisamos  e desejamos momentos de solidão para digerir nossas incertezas e tristezas, assim como igualmente  quando das alegrias das comemorações positivas de nossas vidas.  
Alguns   outros aspectos incluem;
Não tem liquidez imediata e você não pode se desfazer (vender)  apenas um ambiente da casa/apartamento para fazer um dinheirinho, é portanto alienar todo imóvel ou  nadinho.  
O imóvel também se comporta de maneira parecida  ao próprio ser humano, pois após ser jovem e novinho em folha, envelhece, enrugando com o tempo, tornando-se algumas vezes feia e ultrapassada em relação a imóveis construídos com materiais mais modernos e nobres.
Igualmente pode ocorrer que o bairro onde está situada o imóvel já não está mais tão na moda  ou ainda, como ocorreu com meu próprio imóvel, a rua de tranqüila e sem movimento, se transforma em movimentada e barulhenta...
Por essas  e tantas  outras razões, inúmeros aspectos devem ser considerados antes de alguém jogar-se de corpo e alma em um investimento imobiliário em função do qual poderá encontrar-se subitamente endividado por muitos e muitos anos e, por isso então sugiro você consultar algum profissional com muitas qualificações como ser sensível, isento, comercialmente desinteressado, competente e de sua absoluta confiança, antes de jogar-se numa empreitada que pode lhe dar  muita felicidade  mas ao contrário também, trazer consigo complicações futuras desnecessárias. Caso você  encontre este profissional perfeito me mande seu endereço!
A taxa de juros mais correção monetária que você irá pagar e a quantidade de anos em que estará endividada em relação a sua atual idade, são outros fatores que exigirão profunda análise e cálculos.
Eu ainda posso falar de terrenos, escritórios, sítios, propriedades rurais  etc. mas para isso exigiria  ainda mais espaço desta  concentrada crônica de três itens.   
Desejo terminar esta minha apologia a respeito do imóvel de moradia da gente como sendo um investimento que tem a obrigação de estar incluído em qualquer relação de propriedades, tanto  de pessoa solteira  como de grupo familiar. Este planejador financeiro considera o imóvel pertencente a gente  como praticamente o único tipo de investimento no qual vale a pena pagar juros ao adquiri-lo e endividar-se durante certo número de anos.
Item 2 do título
Passemos agora do investimento imobiliário tipo imóvel e de uso próprio para outra  maneira de considerá-lo,   que porém oferece alguma forma de rendimento  e   que indiretamente, igualmente está alicerçada  em tijolo e cimento, portanto teoricamente quase tão sólido. A diferença está no “quase”.
O mais conhecido e aquele que pretendo abordar sob diversos aspectos é o chamado “FII” ou  Fundo de Investimento Imobiliário.
Em 23/9/2010,  neste blog  publiquei a crônica “ Todos  os fundos imobiliários  são confiáveis?”.(V. pode   lê-la procurando-a no sumário do blog).
Aproximadamente 50 destes fundos estão registrados no BM&FBovespa e outros 40 mais aguardam algumas exigências para serem considerados dignos de serem  igualmente fiscalizados pela CVM”,   Comissão de Valores Mobiliários e, assim também terem chances de uma vida mais longa e tranqüila.
Sem dúvida alguma, os Fundos Imobiliários reúnem algumas vantagens interessantes, entre os quais eu citaria especialmente os de ordem fiscal, mas devido ao conhecimento que tenho do passado de alguns deles (e da grande dor de cabeça que alguns causaram no passado na Europa e América do Norte), eu dobraria as pesquisas e avaliações que faria, antes de adquiri-los.
Inicialmente deve ser dito que você não é dono absoluto de um “imóvel” e, portanto não dispõe do mesmo para vendê-lo quando quiser, a quem quiser e pelo preço que quiser.
No fundo imobiliário você faz parte de uma cooperativa, uma associação de muitos donos de um único ou diversos imóveis ou ainda de  títulos que representam em última análise imóveis.  
As cotas de um fundo imobiliário aqui em nosso país e dentro da atual legislação, são absolutamente diferentes das ações negociadas de empresas de capital aberto, oferecidas na BM&FBovespa, nossa Bolsa de Valores.
Pessoalmente, por enquanto, tive sorte  com um destes fundos imobiliários que adquiri há vários anos e que desde então valorizou bastante. Por ter investido pouco, em compensação, o mesmo mensalmente me oferece o equivalente a um jantar  para dois em um bom restaurante.
Fui acompanhando o surgimento e a evolução em nosso país dos novos fundos imobiliários e, como regra, sem colocar todos no mesmo caldeirão, não gostei do que estou observando em relação aos mesmos.
Cresci como planejador financeiro com o conhecimento básico do conceito da pulverização do risco  dos fundos de renda variável, que investem em ações de empresas de capital aberto.
Este conceito é válido, mesmo para pequenos investidores com digamos dez mil reais, na qual o risco de uma perda substancial é minimizada pois  a carteira como um todo,   contém muitas empresas conhecidas e consideradas sólidas.
A rentabilidade das cotas destes fundos de ações provém dos dividendos, bonificações e da lucratividade da compra ou venda dessas ações pelos administradores dos fundos que,  em compensação, cobram determinado percentual do lucro obtido ou sobre o capital administrado.  
Nos fundos imobiliários em geral ( ressalvadas as exceções) não vejo  este princípio tão salutar sendo seguido. Vejo, ao contrário, fundos que investem em um único imóvel ou em uma única área geográfica. Onde se encontra então a pulverização do risco?
Aos adquirentes de quotas deveria ser insistente e amplamente divulgado que eles mesmos devem procurar um comprador  para suas quotas, mesmo que existe um mercado limitado no BM&FBovespa para  este tipo de investimento.
Caso você adquiriu quotas de um fundo imobiliário não habilitado pela CVM, talvez tenha adquirido um investimento sem ou com pouquíssima liquidez, transformando-se então num  negócio sem ou com  poucas probabilidades futuras de alienação quando você precisa fazer resgate. Você não tem garantia de que poderá vender suas quotas!
Existem aproximadamente 40 destes fundos ( na totalidade 90) circulando pelo país, todos tentando lhe impressionar e provavelmente com um bom departamento de marketing e propaganda.
Dissecando alguns poucos balanços de fundos imobiliários  que caíram em minhas mãos, também não vejo importância  sendo dada a transparência nas despesas feitas pelas administradoras, na tentativa de conter custos desnecessários.
A meu ver, o mais acertado seria que cada  imóvel individual e sub administrada pelo fundo, também tivesse  uma contabilidade separada,  minuciosa em relação   às despesas que foram feitas.
Questiono  ainda se a taxa de administração  cobrada dos quotistas é  verdadeiramente justa e proporcional  ao rendimento líquido proporcionado,  considerando-se  a corrosão anual do valor  cada vez menor do poder aquisitivo da nossa moeda. Francamente falando, o pequeno investimento no meu próprio fundo imobiliário, não é suficientemente transparente para me mostrar onde foram feitas as despesas e em quanto foram remuneradas seus administradores e demais funcionários burocráticos.
Os fundos imobiliários, em relação a certos aspectos, me lembram as empresas de “time sharing” ou mesmo os ”flats”, prédios residenciais e comerciais  com diversas unidades pertencentes a um grupo de pessoas e que estavam tão em moda há alguns anos.  Estes “flats” eram geralmente administrados profissionalmente por grupos de hotelaria, mas você não podia dispor livremente das unidades.   
Eram regidos por regulamentos em que você tinha alguns privilégios  mas quase nunca conseguia  saber se sua parte no lucro obtido era  verdadeiro ou disfarçado artificialmente...
Eu, se fosse você, adotaria critérios muito precisos e minuciosos antes de adquirir quaisquer cotas de fundos imobiliários.
Item 3 do título 
Finalmente volto ao título desta crônica, quando me refiro a “outras  divagações  atuais  que me ocorrem quando interpreto a minha maneira  as manchetes de jornais e noticiários”.
Sou apenas um inexpressivo observador que tem talvez demasiada imaginação, mas concluo que juntando poder político, poderosas empresas  incorporadoras e ainda as unindo aos  gigantescos  fundos de pensão estatal, todos atualmente com caixa muito alta, que por sinal  pertence aos futuros aposentados  e não aos seus atuais dirigentes, infelizmente antevejo negociatas  que não deveriam estar acontecendo.
Na Europa da atualidade, há mais de dois anos, os alarmes já dispararam em relação aos fundos de pensão (estatais, mas também privados) que geralmente são bem administrados, mas que atualmente sofrem devido a  profunda recessão e  rentabilidade extremamente baixa existente.
Em nosso próprio país, após anos de mínimo investimento em novos prédios  residenciais e comerciais, repentinamente muito dinheiro está correndo em direção a este segmento, mesmo assim, sabe-se que algumas empresas incorporadoras não vão tão bem das pernas e precisam de mais vitamina para sobreviver, exatamente por terem cometido graves erros de escolha  em seus investimentos e negócios.
Por essa aparente razão o “boom” das construções está em franco processo de saturação e quem sabe pode-se transformar em momento futuro em bolha furada. Contribui para esta minha concepção o fato  de demasiado crédito ter sido concedido por alguns bancos estatais (mas também privados) à pessoas que talvez não possam honrar seus compromissos de endividamento imobiliário.
Nesta minha fértil imaginação, os grupos mais acima  citados poderão estar  prejudicando com suas transações, por enquanto desconhecidas e apenas objeto de especulação, seus próprios investidores e clientes,   tanto dos fundos imobiliários como dos fundos de pensão estatal.
O caso “Vale” e a pressão que foi exercida sobre seu Presidente anterior é apenas um minúsculo reflexo do que ocorre quando muitíssimo dinheiro está envolvido em alguma empresa parte pública, parte privada e existe pressão e interesse político para a canalização desses recursos para alguns projetos  de  valor relativo e discutível.
A Folha de S.Paulo e o Estado de S.Paulo neste últimos dias insinuam e publicam que uma das empresas gigantes do segmento das construtoras pagou muitíssimo dinheiro à empresa de consultoria do senhor Antonio Palocci. Os detalhes, por enquanto,  estão fechados a sete chaves. Será esta a única empresa do setor a receber recursos que não deveriam estar sendo distribuídos tão liberalmente?
A nominada empresa aparentemente  também efetuou negócios com diversos fundos de pensão estatal... Especulação, transações espúrias e quem sabe o que mais ocorre com o sagrado dinheiro dos investidores de fundos imobiliários e fundos de pensão...
Acredito que será muito difícil calcular quanto cada quotista de algum dos fundos imobiliários contribuiu  para que  o citado senhor Palocci conseguisse ganhar líquido 20 milhões de reais por serviços prestados e ainda mais difícil saber quantos desses tipos de negócios jamais chegarão a ser mencionadas na mídia... Ter pago 20 milhões para um consultor, a meu ver implica em interpretar  que dezenas ou centenas de milhões  de Reais foram investidos em negócios que talvez não sejam tão lucrativas e seguras! 
Juntando-se  estas estranhas combinações  com as informações a respeito de algumas das empresas incorporadoras que não andam tão bem das pernas como deveriam e adicionando-se ainda alguns  fundos imobiliários cujas quotas não são tão transparentes como deveriam ser, teremos um caldo  quente mas, por enquanto, ainda não em estado de fervura e até transbordando o caldeirão...      
Por enquanto Frankenberg (por falta de cacife) fica de fora de quaisquer  inversões   milionárias  nestes    vistosos prédios que atualmente  brotam do chão como cogumelos nas grandes metrópoles do país.
Sinceramente, não acredito na continuidade da enorme  e excessiva valorização imobiliária atualmente existente em nosso país.
Penso  muito nas crises  financeiras anteriores  e atuais  existentes na Europa e Estados Unidos.
Penso ainda que prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
Penso também no provérbio alemão de que dinheiro não nasce em árvores e em razão desses pensamentos tão  intelectuais e profundos concluo que prefiro ficar fora dessas brincadeiras que não são para crianças nem para pessoas que prezam o dinheiro que ganharam através de imenso esforço.

Louis Frankenberg,CFP®  22-05-2011

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